Gabeira e Paes divergem sobre alianças no segundo turno em debate no Rio

09/10 - 16:20, atualizada às 17:21 09/10

Anderson Dezan, repórter do Último Segundo no Rio

RIO DE JANEIRO – Os candidatos à Prefeitura do Rio, Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes (PSDB), se enfrentaram diretamente, pela primeira vez no segundo turno das eleições municipais, nesta quinta-feira. O tom no debate, promovido pelo jornal “O Globo”, foi marcado pelas poucas discordâncias entre as campanhas. As pontuais acusações ficaram restritas às formações de alianças com outros partidos.

 

Acordo OrtográficoCom o apoio do atual prefeito do Rio, Cesar Maia (DEM), cujo índice de rejeição é alto, Gabeira disse que as alianças que surgirem serão bem vindas, mas que, no entanto, não será feita uma ocupação da máquina administrativa.

“As regras do jogo são muito claras. Não haverá ocupação política da máquina administrativa. Todos que quiserem oferecer apoio serão bem vindos, o que não significa necessariamente que estarão fazendo campanha”, afirmou. “O prefeito Cesar Maia tomou uma posição espontânea sem que eu o procurasse”.

Apoiado pelo PSB, PT e PSC, Paes disse que uma eventual aliança com Marcelo Crivella (PRB) não está acertada. O senador, assim como Cesar Maia, possui um alto índice de rejeição na capital fluminense e acabou

AE

Paes e Gabeira cumprimentam público em debate

ficando em terceiro lugar no primeiro turno das eleições municipais.

“Ainda não tive o apoio de Crivella. Uma hora ele vai ter que se posicionar. Todos os que vierem me apoiar não serão escondidos. Não vou negar a política, vou fazer as coisas às claras. Não terei vergonha, apresentarei para a população”, declarou. “O critério de nomeação no meu governo será o da competência”.

Ao serem questionados a respeito da importância da fidelidade partidária, Eduardo Paes, que já foi do PFL (atual DEM), PTB e PSDB, desconversou e não justificou as mudanças feitas em sua vida política.

“Ao longo da minha vida pública, tenho como prioridade cuidar do Rio de Janeiro, para entender os seus problemas. Busquei seguir esses princípios, não tenho deixado de cumprir a ética. A reforma política no Brasil se dá de maneira equivocada. Infelizmente os partidos políticos têm poder descentralizado” disse.

Já o candidato do PV, questionou o fato de ter mudado de partidos. Ele afirmou que saiu do PT por motivos explicáveis.

“Eu não mudei de partido várias vezes. Eu saí do PT para o PV para gerar uma aproximação com os ecologistas. Com o PT instalado no poder, eu tive divergência e saí. Quando eu saio do partido eu vou à Câmara dos Deputados e explico o motivo da minha saída. Não se trata de sair pura e simplesmente, mas de ver um momento histórico e enfrentar a situação. As pessoas não saem dos partidos quando eles são do governo, são poucos. Eu saio”, afirmou.

Bilhete único  / Saúde

Os dois candidatos defenderam a implementação do Bilhete Único no transporte do Rio, mas discordaram sobre o subsídio da prefeitura para a execução do projeto. Eduardo Paes afirmou que pretende implementar o projeto no primeiro ano de governo e sem subsídio governamental.

"Se a cidade de São Paulo que é mais complexa conseguiu fazer o programa, nós também vamos conseguir. Em São Paulo tem o subsídio porque o transporte lá já tem essa cultura há muito tempo", disse. “O Bilhete Único é um direito de justiça, gerador de renda. Investir em transporte é uma política de emprego”, completou.

Para Gabeira, o subsídio da prefeitura para a implantação do programa será necessário. "O processo de licitação do Bilhete Único precisa contemplar o passageiro e o transporte de vans. É necessário haver também uma articulação com a Região Metropolitana. Acho que deverá haver algum tipo de subsídio".

Durante o debate, os concorrentes também defenderam suas propostas para as áreas de saúde, segurança, habitação e meio-ambiente. Sobre seus primeiros atos de governo, Paes afirmou que nomeará seu secretário de saúde para que ele comece a trabalhar imediatamante. "Também vou revogar o decreto de aprovação automática nas escolas municipais". Gabeira defendeu o "bola no chão". "Vou começar pela calçada, rua, pavimentação e limpeza", disse o candidato.

Para os dois candidatos, os problemas na saúde da cidade precisam ser resolvidos com novas soluções. "Nós temos que estabelecer prioridades. Os recursos para a saúde já estão vinculados. Temos que estabelecer parcerias com o governo, aumentar a arrecadação e cortar as despesas", disse Paes.

Para Gabeira, "para melhorar a saúde é preciso usar os neurônios". Ele afirmou que é necessário se "pensar como gastar o dinheiro e fazer parceiras com o governo federal e com o mundo".

O candidato do PV disse ainda que a relação dele com os médicos "será a de tirar os melhor deles". Ele criticou a declaração do governador Sérgio Cabral, padrinho político de Paes, que chamou de "vagabundos" os médicos que faltaram ao plantão no Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, zona norte do Rio.

"Caracterizar médicos como vagabundos não é correto porque há uma parte abnegada na categoria".

Moradia / Meio Ambiente

Sobre habitação, Gabeira afirmou que compreensão da população é uma boa a solução para que não se crie nova áreas irregulares de cidade. "Tudo implica em uma política junto com a comunidade, junto com os moradores e com o Crea-RJ, que se dispôs a ajudar".

Para Paes, é necessário contar com o apoio da população, mas quando os limites são desrespeitados a prefeitura precisa agir. "É preciso que o poder público estabeleça as regras e que esteja na comunidade. O poder público tem que agir quando se tem irregularidades. A comunidade também quer esse controle".

Na questão do meio-ambiente, os dois candidatos concordaram que a limpeza das águas de praias e lagoas são fundamentais para que o Rio possa atrair mais turistas e dinheiro. "Para se manter as praias limpas, é preciso resolver o problema no saneamento", defendeu Paes. Para Gabeira, "existem soluções fora do país que deram certo que poderiam ser implantados na Baía de Guanabara, por exemplo".

Sobre a eleição da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, os candidatos afirmaram que pretendem conversar com a lideranças para estabelecer apoios. "O prefeito não pode ignorar o vereador como acontece hoje. Quero ter uma relação saudável com a Câmara dos Vereadores e espero votar logo o Plano Diretor da cidade, o que é muito importante", defendeu Paes.

O debate teve quatro blocos. O primeiro foi de perguntas de jornalistas do jornal "O Globo", o segundo de perguntas de internautas e eleitores presentes na platéia; no terceiro bloco, os jornalistas fizem novos questionamentos e, no último, cada candidato fez duas perguntas ao adversário e suas considerações finais.

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