Candidata diz que foi impedida de entrar em favela do Rio de Janeiro
22/07 - 13:21
Redação
RIO DE JANEIRO - A candidata a vereadora pelo PT Ingrid Gerolimich afirmou que foi impedida de realizar campanha política na favela da Rocinha, na zona oeste do Rio de Janeiro, porque os traficantes do local já escolheram os candidatos que querem no poder. "No dia 6 de julho iríamos lá, mas recebemos recado dos moradores de que não poderíamos entrar pois o tráfico não queria", disse. Na tarde desta terça-feira, Ingrid voltou à favela. Desta vez, com escola policial.
A segurança da candidata foi feita por uma equipe do 23° Batalhão da Polícia Militar (Leblon). "Ontem fui recebida pelo coronel que me garantiu que, em qualquer comunidade ligada ao batalhão que eu quiser fazer campanha, eles vão mandar escola e garantir o policiamento", contou.
Segundo Ingrid, esta é a única maneira de conseguir caminhar em algumas comunidades. "Outros candidatos tentaram ir para a Rocinha e também não conseguiram. O Rio de Janeiro caminha para a barbárie. Quem não é ligado ao tráfico não tem chance de se eleger?", revolta-se. Ingrid relatou também que sua equipe foi informada de que eles não podem fazer campanha política na favela do Rio das Pedras, em Jacarepaguá.
| Divulgação |
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| Candidata diz que campanha também é protesto |
Procurada, a Secretaria de Segurança Pública enviou nota oficial em que diz que o procedimento correto de qualquer candidato que se sinta ameaçado é registrar queixa na delegacia. "Posteriormente, ele deve recorrer ao TRE que garantirá, mediante necessidade de reforço policial ou não, o direito de fazer campanha em qualquer área pública. Até o momento, a Secretaria de Segurança sabe de declarações relativas a estes fatos, porém não foi informada de nenhum registro formal de fato semelhante em delegacia", diz a nota.
O TRE do Rio de Janeiro informou que ainda não tem o número de denúncias anônimas e também realizadas por candidatos sobre os currais eleitorais feitos pelas milícias e pelo tráfico.
A assessoria de imprensa, porém, confirmou que, na tarde de segunda-feira, a corregedora regional eleitoral, Jacqueline Montenegro, reuniu-se com a delegada da Polícia Federal Izabel Feijó, que foi designada pela instituição para coordenar o apoio à segurança do processo eleitoral no Estado do Rio.
De acordo com o TRE, este foi apenas o "primeiro de uma série de encontros que visam a garantir a tranqüilidade das eleições, ação rotineira na preparação dos pleitos".
A juíza Jacqueline Montenegro afirmou, por meio de nota, que é uma espécie de "operação-votação". "Colocamos nossas necessidades em termos de segurança para todo o processo eleitoral, que envolve as zonas eleitorais, servidores, pólos de urnas, entre outros pontos, e a Polícia Federal nos coloca suas disponibilidades", disse. A Polícia Federal não quis se pronunciar sobre o assunto.
Enquanto isso, Ingrid disse que além de campanha eleitoral, o ato desta terça-feira é uma forma de denúncia. "O poder público tem que tomar providência e garantir que possamos fazer campanha, senão daqui a pouco teremos 51 vereadores ligados ao crime", afirmou.
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AE
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