Rio: Lula e Marina são os garotos-propaganda do horário eleitoral

Presidente pediu votos para Cabral, Crivella e Lindberg; Dilma e Serra não foram citados pelos candidatos que os apoiam no Estado

Flávia Salme, iG Rio de Janeiro |

A estreia dos candidatos ao governo do Rio de Janeiro no horário eleitoral gratuito começou com a apresentação de currículos e discursos emocionados. E, assim como na propaganda na TV estrelada ontem pelos candidatos à Presidência, Lula foi o cabo eleitoral preferido.

Com mais de oito minutos na televisão, o governador Sérgio Cabral (PMDB), que concorre à reeleição com o apoio do PT, contou com uma mensagem gravada pelo presidente. A presidenciável petista, Dilma Rousseff, não apareceu nem foi citada no primeiro programa do governador.

O deputado Fernando Gabeira (PV), que tinha mensagens gravadas pelos dois presidenciáveis que integram sua coligação, Marina Silva (PV) e José Serra (PSDB) contou com a verde para pedir votos aos eleitores. Serra não apareceu nem foi citado.

O candidato do PSOL, Jefferson Moura, também destacou seu presidenciável, Plínio Sampaio.

O primeiro a aparecer foi o candidato do PR, Fernando Peregrino, que tenta se tornar conhecido do eleitor. Com a ajuda de uma locutora, Peregrino foi apresentado como “homem simples, de trajetória marcante”, cuja história política mantém vínculos com "Darcy Ribeiro, Brizola e Garotinho". Em cerca de um minuto e meio na propaganda eleitoral, o candidato também lembrou que foi secretário do governo Rosinha Garotinho e ajudou a implantar programas do casal Garotinho como Cheque Cidadão e Restaurante Popular, que ele prometeu resgatar, se for eleito.

O segundo candidato estrear no horário gratuito foi Jefferson Moura, do PSOL, que foi apresentado aos eleitores pela ex-senadora Heloísa Helena. O candidato aproveitou o horário para defender propostas como educação em horário integral e fazer críticas aos adversários Cabral e Gabeira, os mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos. Plínio Sampaio, que concorre à Presidência pela sigla, apareceu rapidamente ao fim do programa, que durou um minuto.

Também com um minuto na TV, o candidato do PCB, Eduardo Serra, apresentou propostas como a reestatização do transporte. Com o mesmo tempo no horário eleitoral, Cyro Garcia, do PSTU, criticou a área de saúde do Estado, bem como da educação, e concentrou as críticas nos candidatos do PMDB e do PV:  "Cabral e Gabeira são farinhas do mesmo saco”, falou.

Gabeira faz críticas à "corrupção na saúde e à máquina de propaganda do governo"

Gabeira apareceu no horário gratuito embalado pelo jingle usado em sua campanha de 2008 à prefeitura do Rio.  Em vez de apresentar biografia, lembrou a rua em que nasceu, de nome Garibaldi, e fez uma analogia entre suas ideias e trajetória de Garibaldi, general italiano que lutou contra governos tiranos.

Embora tivesse mensagens gravadas pelos dois presidenciáveis que integram sua coligação, José Serra e Maria Silva, foi a verde que entrou no ar para pedir votos aos eleitores.

Gabeira mirou na saúde e voltou a acusar casos de corrupção no setor. Recebeu apoio de sindicalistas da área médica, que apareceram na propagranda do PV para criticar o governador Sérgio Cabral. O candidato também falou sobre as vítimas de desastres provocados pelas chuvas que provocaram tragédias no Estado no início do ano.

Em vários depoimentos inseridos ao longo do programa, eleitores ligados ao verde diziam “Gabeira é outra história”.

Mais cedo, no rádio, Gabeira já havia se comparado à Garibaldi, e concentrou suas críticas no que chamou de "máquina de propaganda do governo de Sérgio Cabral", enquanto discorria sobre a sitação do transporte no Rio. Também no rádio, o candidato classificou de "tragédia" a educação n Estado e insistiu nos ataques ao governo de Cabral, seu principal adversário na disputa. "Um governo que gasta R$ 430 milhões em propaganda não se interessa pela educação", falou.

Cabral destaca ações na área da segurança

O governador Sérgio Cabral entrou no ar falando sobre o amor pela família e “pela vida pública”, com os olhos marejados. Depois do depoimento em tom emocionado, apareceu a imagem do presidentre Lula pedindo votos para o peemedebista, a quem chamou de parceiro e aliado.

Depois, o narrador do programa foi o próprio Cabral, que destacou programas de seu governo como as Unidades de Polícia Pacificadora, as UPAs 24h, e a parceria com o governo federal para as obras do PAC. A cada citação desses programas, um eleitor favorável ao governador prestava um depoimento sobre como fora beneficiado pelas ações. Até um policial que integra uma UPP gravou.

Para destacar a parceria entre Cabral e o presidente Lula, uma locutora dizia: “Você se lembra como era nosso estado antes de Sérgio Cabral?”. Na sequência, manchetes de jornais foram usadas para ilustrar a tensão entre governos anteriores que, segundo a campanha peemedebista, "não se entendiam".

Ao fim do seu programa, que durou mais de oito minutos, Cabaral prometeu ampliar as obras do PAC em áreas como Baixada fluminense, São Gonçalo e Itaboraí - na região metropolitana - e pacificar "todas as comunidades que vivem sob o poder paralelo” até 2014.

De manha, no horário gratuito no rádio, Cabral também contou com mensagem gravada pelo presidente Lula, e destacou sua política de segurança. "A polícia recuperou sua autoridade", falou.

Lula pede votos para Crivella, Picciani e Lindberg

Candidatos ao Senado pelo Rio também recorreram ao presidente Lula para conquistar o voto dos eleitores. Ao se referir ao senador Marcelo Crivella (PRB), Lula falou: "é um dos meus parceiros mais fiéis no Senado".

Já o candidato do PT ao Senado, Lindberg Farias, contou com Lula e com o governador Sérgio Cabral como cabos eleitorais de sua campanha. O petista disputa a vaga ao lado do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (PMDB), pela coligação "Estamos Juntos", do governador. Lindberg apareceu na TV ao lado da mulher e dos dois filhos, segurando no colo a caçula Beatriz, recém-nascida. Além de defender a família, o candidato falou em Deus duas vezes.

Picciani, que também contou com mensagem do presidente Lula, fez citações à família e falou da neta, Duda, para defender sua atuação na Alerj que, segundo ele, acabou com "privilégios", como o extenso período de férias na Casa. O peemedebista ressaltou que é aliado do governador Sérgio Cabral, desde o tempo em que ambos eram colegas na Assembleia Legislativa, e disse que como presidente a Alerj "combateu desvios políticos"  dos parlamentares estaduais.

O ex-prefeito Cesar Maia (DEM) explicou aos eleitores o papel do Senador e disse que quer ir para o Congresso Nacional, "aquele prédio com o prato virado para baixo", para garantir mais recursos para o Rio de Janeiro. Durante seu programa, ele fez uma retrospectiva de sua trajetória política.

Já Marcelo Cerqueira (PPS), que disputa a vaga ao lado de Cesar na coligação "Rio Esperança", do candidato Fernando Gabeira, contou com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como cabo eleitoral. "Não tem candidato melhor que Cerqueira", disse FHC.

Milton Temer, que concorre pelo PSOL, recebeu apoio de Ziraldo. O cartunista pediu votos para Temer e repetiu o bordão da campanha do amigo: "Com Temer, são outros 500", em referência ao número do candidato.

O candidato do PCB, Wladmir Mutt, defendeu a valorização de empresas nacionais como a Petrobras. Já Claiton e Heitor, ambos do PSTU, afirmaram que, se eleitos, vão lutar pelo direito dos trabalhadores.

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