Reunião 2ª deve formalizar uso do termo "presidenta" para Dilma

Eleita no último domingo, petista quer ser chamada de presidenta; você concorda com a mudança de gênero da palavra?

Daniela Almeida, iG São Paulo |

Durante a campanha eleitoral, a petista Dilma Rousseff consultou especialistas para saber se era correto e adequado o uso do termo “presidenta”, no lugar de presidente. Diante da resposta positiva, decidiu: se fosse eleita , gostaria de ser chamada assim.

AP
Dilma Rousseff durante o primeiro pronunciamento como presidenta eleita

Segundo o dicionário Houaiss, “presidenta” é a forma feminina de “presidente”. O Aurélio, ao explicar o significado de “presidente”, define que a palavra pode ser usada no masculino e feminino, e também acata o uso de “presidenta”, que por sua vez é definida como “esposa do presidente” ou “mulher que preside”.

Pelo menos em uma das ligações de chefes de Estado que recebeu, Dilma já teve esse tratamento. Ao parabenizá-la pela conquista do cargo, a argentina Cristina Kirchner disse: “Bem-vinda ao clube, presidenta”.

Ao ser eleita na Argentina, Cristina não apenas passou a se autodenominar “presidenta”, como pediu aos veículos de imprensa e a sua equipe de governo que a chamassem assim. No site da Casa Rosada, sede presidencial do País vizinho e nas páginas dos principais jornais argentinos, Cristina é anunciada como presidenta.

Segundo assessores mais próximos, como Dilma sempre disse preferir a denominação “presidenta”, a regra deve ser esta. A norma pode ser estabelecida em uma reunião da equipe de comunicação na próxima segunda-feira.

Isso vai facilitar a vida de políticos e assessores que estão perto da presidenta eleita. Nem sua equipe de campanha ou integrantes do PT conseguiram entrar em acordo sobre o tratamento que dão a ela. Em entrevistas à imprensa, o presidente do partido, José Eduardo Dutra – que integra a equipe de transição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva –, refere-se a Dilma como “a presidente”.

Para o cerimonial da Presidência, responsável pelos eventos oficiais do governo, a mudança de gênero para se referir à petista só será um problema a partir de janeiro, quando Dilma assume efetivamente o cargo. “Conforme a preferência e conforme as pessoas se dirigirem a ela, isso vai se consolidando”, diz um assessor do Planalto.

Na opinião do consultor em etiqueta, Fábio Arruda, “foneticamente fica feio”. “Pode ser que, para agradá-la, isso pegue.”

O professor e autor especialista no tema, Odilon Soares Leme, explica que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), da Academia Brasileira de Letras (ABL), reza que “presidente”, assim como “dentista”, é o chamado substantivo comum de dois. Em bom português, significa que o termo é definido pelo artigo que o precede: a presidente, o presidente, o dentista, a dentista. “O Volp, contudo, também registra a palavra ‘presidenta’. Logo, as duas formas são corretas”, afirma.

Daí presidente ou presidenta ser uma questão de gosto, não de regra.

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