Ao roubar a cena na abertura do evento, Requião insistiu em candidatura própria; Temer pediu voto para selar aliança com Dilma

A convenção nacional do PMDB teve início na manhã de hoje sem a presença do deputado Michel Temer (SP), principal articulador da aliança com o PT da ex-ministra Dilma Rousseff, que será sacramentada no encontro. Com isso, a mesa de abertura da convenção se transformou no palco perfeito para que o ex-governador do Paraná Roberto Requião reafirmasse sua intenção de se apresentar como candidato peemedebista ao Palácio do Planalto.

"Não vim para protestar, vim para fazer falar a voz do povo", discursou Requião. "Vai ser dificil, nao tivemos oportunidade do debate. Mas estou muito velho para desistir. Sustento essa candidatura com dificuldade", emendou.

Requião teve o reforço do senador Pedro Simon (RS), que preside o PMDB gaúcho apoiou a articulação do ex-governador para se contrapor à ala do partido alinhada ao PT. Simon investiu na comparação com os demais nomes que se lançaram para a corrida presidencial, entre eles o ex-governador José Serra (PSDB) e a senadora Marina Silva (PV). "Nao tem melhor lá no PT que a Dilma? Acho Serra bom candidato, a Marina é santa boa demais para nos, somos pecadores demais. Por que nao colocar Requião junto?"

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Logo cedo, Requião já ocupava a mesa durante a convenção do PMDB, em Brasília

Temer, que chegou pouco depois, pregou a unidade do PMDB e pediu “voto robusto” para ser aclamado vice-presidente na chapa com a petista Dilma Rousseff. “Eu preciso do voto sim e preciso do voto robusto, significativo do voto que venha demonstrar mais uma vez aquilo que acontece na prática que é unidade absoluta. Quem duvida olha para esta mesa”, disse, sob aplausos, ao lado do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles e das principais lideranças do PMDB.

Temer fez “campanha” para os candidatos presentes na convenção do partido, em Brasília. “Nosso Geddel Lima, futuro governador da Bahia”, afirmou, para logo em seguida engatar: “Eunício Oliveira, nosso senador pelo Ceará” . O presidente da Câmara também garantiu que o PMDB não será coadjuvante na eleição de Dilma. “ O PMDB não vai só com vice, vai inteiro. Se antes era o partido da guerra, hoje é o partido da paz”, defendeu.

O evento contou com a presença também presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP) e sua filha Roseana, governadora do Maranhão, os senadores Valdir Raupp (RO), Renan Calheiros (AL), os deputados Henrique Eduardo Alves (RN), Eduardo Cunha (RJ) e outros.

Até o fim da convenção, Temer  oficializado como vice na chapa de Dilma. Terão direito a voto 569 convencionais - senadores, deputados federais, membros do Diretório Nacional, membros do Conselho Nacional e delegados. No entanto, serão 804 votos, pois existem casos em que um membro tem direito a mais de um voto.

Ao iG , Requião já havia declarado que a opção do partido em aceitar a sua candidatura, ocorrida na sexta-feira, “salvou o PMDB de uma desmoralização”. “Eu tenho o direito de ser candidato. Não digo que sou melhor que o Temer, mas tenho melhores condições. Eu sempre quis ser candidato, não consigo é legenda”, afirmou.

O ex-governador garantiu que iria à Justiça Eleitoral se lhe fosse negado o direito de concorrer na eleição interna. Na votação, serão distribuídas duas e não apenas uma cédula. Em uma, haverá o nome do deputado Michel Temer para ser indicado a vice na coligação PT-PMDB. Na outra cédula, a opção da candidatura própria e a opção de ser Requião ou Antônio Pedreira o candidato.

Para Requião, o direito de concorrer faz parte da democracia. “Eles iam invalidar a convenção? Eles tentaram forçar uma solução sem consultar ninguém. Agora, precisam dar a possibilidade de conversar”, reclamou.

Vice de Dilma

A escolha de Temer foi aprovada no mês passado, mas já era tida como certa por integrantes do PMDB desde o ano passado. Mas o anúncio esbarrou na especulação de que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, seria o nome predileto do presidente Lula.

Entrada da convenção nacional do PMDB, em Brasília
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Entrada da convenção nacional do PMDB, em Brasília
Chamado de “cristão novo” pelas lideranças, Meirelles não teve tempo de construir uma candidatura e conseguir apoio dentro do partido. O presidente do BC vinha demonstrando a maior chance de unir os empresários e o mercado financeiro internacional à campanha de Dilma, mas o PMDB preferiu Temer. Com isso, Meirelles ouviu de Lula que o Palácio não poderia interferir a seu favor na escolha do vice de Dilma, a ser indicado pelo partido, e permaneceu à frente do BC.

Em maio, a Executiva do PMDB indicou Temer como vice, que disse estar orgulhoso. Antes da convenção, na última quarta-feira, o deputado entregou a Dilma o programa do governo do partido. A ideia é promover uma fusão das propostas. Entre as sugestões de governo estão a criação de uma poupança destinada aos filhos dos beneficiados com o Bolsa Família.

O evento de hoje acontece a partir das 9h. Entre os oradores, deverão falar Michel Temer e a pré-candidata Dilma Rousseff. Mais cedo, a petista participou da convenção nacional do PDT, em São Paulo. Amanhã, o PT homologa a candidatura de Dilma à Presidência, em Brasília. O evento contará com Temer e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Bancadas

Com 69 dos 803 votos na convenção nacional, o PMDB mineiro tem a segunda maior bancada, atrás apenas dos delegados do Rio de Janeiro (80 votos).

Entre os peemedebistas que apoiam o adversário José Serra (PSDB) estão os representantes de São Paulo e Pernambuco. Apesar da resistência nos diretórios, o PMDB nacional não vê risco real e tampouco temem um revés na convenção.

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