Repaginado, PV deixa para trás propostas polêmicas

Agora representado por Marina Silva na corrida presidencial, partido deixou no passado sugestões como a criação da 'ecotaxa'

Ana Paula Prado, IG São Paulo |

Doze anos depois de sua última tentativa de lançar um candidato na disputa presidencial, o PV entra na corrida ao Palácio do Planalto com o discurso diferente do que encampou no passado. Se agora o partido investe no tom moderado, em 1998 o discurso do então candidato à Presidência Alfredo Sirkis previa até mesmo a criação de uma taxa para financiar projetos socioambientais.

Adriana Elias/iG
Marina Silva, candidata do PV à presidência da República
No programa de governo lançado na época, o PV propunha a criação da ecotaxa municipal de 0,5%, que incidiria sobre produtos como tabaco, bebidas alcoólicas e gasolina. Já nas diretrizes do programa de governo de Marina, que ganharam uma nova versão esta semana, a sigla prefere apostar na simplificação da legislação tributária, substituindo impostos, ao invés de criá-los.

“Em 98, havia margem para a criação de novos tributos. Hoje, isso é inviável”, argumenta Sirkis, para quem a mudança de abordagem é resultado do amadurecimento do partido.

Hoje, Sirkis admite que sua candidatura à Presidência em 1998 era apenas “testemunhal”. “Não passava pela nossa cabeça ganhar as eleições, nossa intenção era fazer o partido conhecido. Hoje, nossas diretrizes são factíveis de realização em quatro anos de um governo também factível”, diz o vereador, que disputa este ano um cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro.

No texto das novas diretrizes, protocolado no início do mês de julho no Tribunal Superior Eleitoral, temas como redução dos gastos públicos, combate à corrupção, aprimoramento do ensino básico e acesso à internet banda larga através de projetos de desoneração fiscal, ganham destaque ao lado de questões “verdes”, levantadas como bandeira no pleito anterior.

Ainda que a questão ambiental perpasse todo o plano apresentado por Marina ao lado de sua equipe de colaboradores, aliados da senadora argumentam que o debate ambiental agora está incorporado na mídia, nas escolas, nas empresas e também no embate político. “As questões verdes cresceram mais que nosso partido”, avalia Sirkis.

Para o filósofo Roberto Romano, professor titular do departamento de filosofia da Unicamp (Universidade de Campinas), o PV se distinguia no passado por chamar a atenção para a questão ambiental que - se está longe de ser equacionada junto às empresas e poder público - pelo menos já faz parte de tratados políticos e comerciais internacionais, onde a sustentabilidade é moeda de troca para acordos bilaterais.

“Hoje, os partidos políticos incorporam o discurso ambiental em suas propostas e o PV desponta como o partido da moralidade, lugar ocupado pelo PT quando ainda era oposição”, analisa Romano. Ele destaca que Marina, que ocupou o posto de ministra do Meio Ambiente no governo Lula, manteve-se à margem dos escândalos de corrupção que eclodiram na imprensa nos últimos anos. Para o cientista político Fernando Abrúcio, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o PV se apresenta como opção aos descontentes. “É um processo que tem a ver com a figura da Marina Silva.”

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