Governador supera as expectativas e chega aos 63% dos votos válidos, descartando possibilidade de segundo turno

O governador Jaques Wagner (PT) foi reeleito em primeiro turno com cerca de 63% dos votos válidos. A confirmação foi feita quando a apuração chegou a 80% das urnas e ele não podia mais ser alcançado por nenhum de seus adversários, que acreditavam na possibilidade de segundo turno no Estado.

O segundo colocado no pleito, Paulo Souto (DEM), marcou 16,3% de preferência junto ao eleitorado. Já Geddel Vieira Lima (PMDB) vem logo atrás, com 14,7% de votos. O governador acompanha a apuração do pleito no Palácio de Ondina, residência oficial dos chefes do Executivo, onde recebe os integrantes de sua coligação e prepara a festa da vitória.

Agência Estado
Jaques Wagner com eleitores a caminho da urna
A porcentagem alcançada por Wagner surpreende os analistas políticos locais devido às pesquisas de opinião registradas ao longo da campanha. Em todas elas, o ex-sindicalista oscilava entre 45% e 52% de intenções e voto. A realidade, no entanto, lhe deu uma vitória ainda mis ampla do que o esperado.

Com o resultado deste pleito, o ex-sindicalista permanecerá no Palácio de Ondina até 2014 e fará com que, politicamente, a Bahia se torne um Estado ainda mais importante para seu partido do ponto de vista estratégico.

Com redutos expressivos como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e com pouca possibilidade de eleger petistas para o governo ou que sequer têm candidatos do partido na corrida eleitoral, o PT tem na reeleição de Wagner a oportunidade de manter o controle do quarto maior colégio eleitoral do País. A Bahia é um dos Estados onde, tradicionalmente, mais se vota no PT

Além do peso do Estado na economia nacional, a dispensa do segundo turno reverte a situação política de Wagner em 2006, quando o petista se elegeu pela primeira de maneira improvável. Naquele ano, todas as pesquisas de opinião apontavam uma derrota esmagadora para Paulo Souto (DEM). O então gestor que buscava a reeleição, porém, foi surpreendido por uma virada histórica e foi derrotado logo na primeira etapa da disputa.

O medo de que o mesmo pudesse acontecer em 2010 pairava sob a campanha petista ao mesmo tempo em que embalava os sonhos dos adversários, claramente desfavorecidos pelas consultas dos institutos especializados. Entretanto, a influência do governador com a propaganda eleitoral que promovia realizações de sua gestão foram capazes de convencer o eleitorado a continuar seu programa e as pesquisas confirmaram a real intenção do eleitor baiano.

A conjuntura da nova eleição de Wagner dá à Bahia também maior poder de barganha de investimentos e obras junto ao Governo Federal. O líder petista foi bastante criticado pelos oposicionistas durante o período de campanha por supostamente ter pouco aproveitado sua proximidade com Lula para promover o desenvolvimento estadual. Com Dilma no poder e na condição de um dos petistas mais fortes do Brasil hoje, espera-se que seja capaz de devolver à Bahia a posição de protagonista regional que nos últimos anos foi ofuscada especialmente por Pernambuco.

A campanha de Jaques Wagner foi especialmente concentrada no interior do Estado aproveitando também o trabalho de convencimento de prefeitos a apoiar sua chapa começado no ano anterior. Esta tarefa foi delegada ao candidato a vice, Otto Alencar (PP), que goza de prestígio junto às lideranças de todas as regiões devido ao seu período como ex-governador por duas oportunidades durante gestões passadas do PFL.

Alencar estava afastado da política mas, após ser convencido por Wagner a retornar à vida pública, deixou o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas dos Municípios para articular a adesão dos alcaides. Assim, conseguiu unir não só os aliados como também tirar de seus opositores diversos prefeitos, o que causou processos de expulsão partidária no PMDB, por exemplo. Durante o período oficial de campanha, Wagner fez inúmeras carreatas e se reuniu com lideranças e prefeitos de cada cidade durante os eventos para reforçar os acordos políticos.

Na TV e rádio, convenceu o eleitorado apresentando realizações recentes de seu mandato, grandes obras que faz em parceria com o governador ou totalmente bancadas por este, além de calcar o discurso na mudança política que trouxe à Bahia após a superação dos governos carlistas. Porém, acima de tudo, soube explorar a amizade de décadas com o presidente Lula e se personificar como o homem que, na Bahia, faz o trabalho que Lula fez no Brasil.

Este argumento em específico ajudou o petista a superar com folga os principais adversários, Paulo Souto (DEM) e Geddel Vieira Lima (PMDB). O primeiro, parte integrante da oposição local e federal, dificilmente poderia combater o apelo de Lula junto ao eleitorado pobre - maioria na Bahia – e sequer explorou a imagem de José Serra durante sua campanha. Já o ex-ministro da Integração Nacional, apesar de ser nacionalmente aliado de Lula e Dilma, não foi capaz de fazer melhor associação de sua figura e não teve forças para superar a linha entre 10% e 15% de preferência durante as pesquisas.

Esta realidade foi refletida nos debates entre os candidatos. Enquanto Souto calcava sua estratégia na crítica à atual gestão e resgate de desempenhos positivos de suas gestões anteriores e Geddel na ideia de que a proximidade de Wagner com Lula não trouxe desenvolvimento à Bahia, Wagner propôs aos adversários que comentassem programas de Lula no Estado e, logo após as falas, mostrava programas semelhantes em vigor na Bahia e listava uma série de números alcançados pela atual gestão.


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