Depois da derrota nas urnas, oposição de Pernambuco já pensa em 2010
09/10 - 08:21
Redação
Passada a eleição municipal, o campo de oposição no Estado de Pernambuco vai ter que rediscutir seu papel para se opor ao palanque de esquerda. Pesa contra os oposicionistas o fato de estarem fora do poder nos três níveis – municipal, estadual e federal.
O senador Sérgio Guerra (PSDB) foi lançado como candidato ao governo de Pernambuco em 2010, pelo senador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Mendonça Filho (DEM), depois de duas derrotas majoritárias, deve sair candidato a deputado federal nas próximas eleições. Raul Henry (PMDB), também derrotado nesta eleição, é a aposta como novo líder das oposições.
A oposição em Pernambuco saiu destas eleições menor do que entrou, encolhendo de 65 para 44 prefeituras. A base governista conquistou 141 prefeituras. Apesar dos números, os líderes oposicionistas dizem que o resultado foi "razoável" para quem está fora do poder e salientam que “time que não joga não tem torcida.”
Entretanto, o foco agora é a disputa de 2010. O primeiro a se pronunciar sobre o assunto foi o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB). Ainda na noite do domingo, após a apuração dos votos, o peemedebista, que apoiou Raul Henry (PMDB) para prefeito, ligou para Mendonça Filho (então candidato do DEM) para trocar as primeiras impressões sobre os resultados no Recife e falar em "reaglutinar" forças. Ou seja, tentar reeditar a antiga aliança União Por Pernambuco (PMDB/DEM/PSDB/PPS/PV), esfacelada em 2006, após a derrota de Mendonça para o governo.
"Os três partidos (PMDB,PSDB e DEM) devem se entender. Também vou procurar Roberto Freire (PPS) e o PV (João Braga) para conversar, mas não precisa ser de imediato. Não vai ter açodamento. Vamos sentar e trocar ideias", afirmou Jarbas.
Depois de sair dividida nesta eleição e não obter êxito, a oposição parece ter aprendido a lição. As sinalizações desse aprendizado ocorreram no domingo por parte não só de Jarbas. Presidente do DEM em Pernambuco, Mendonça Filho disse que se empenhará para "integrar" as forças do seu campo. E avalia que dois anos é um "bom intervalo" para a reorganização do palanque. Ele evita fazer especulação sobre 2010, mas no DEM já se fala na candidatura de Mendonça para deputado. "O candidato é ele. Eu vou me aposentar", sentenciou o deputado José Mendonça, seu pai, que confirma a "aposentadoria" depois de oito legislaturas (1979-2010).
O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra, também defende a integração das forças e fala em "conversar" com os antigos aliados na semana que vem. Na segunda-feira, ele conversou com Jarbas em Brasília. Os dois devem encabeçar o movimento para reaglutinar o grupo.
Guerra está otimista. Para o tucano, a "grande lição" deste pleito foi que "ninguém é dono do eleitorado". "Ninguém é dono de nada. O jogo vai ser jogado. Eu não tenho dez centímetros de medo desta força do PT", disparou.
2010
Jarbas Vasconcelos foi o primeiro a puxar a discussão da disputa ao governo daqui a dois anos. E acabou lançando, precipitadamente, ainda no domingo da eleição, o senador Sérgio Guerra, como "potencial candidato". O tucano reagiu imediatamente avisando: "Estou em campanha para renovar meu mandato de senador".
Por ora sem opção de peso para o embate, a oposição pensa em "algo novo" no cenário político. Isso porque os veteranos – Jarbas, Guerra, ou o senador Marco Maciel (DEM), por exemplo – acham que já deram sua cota de sacrifício ao bloco.
Raul Henry, considerada uma jovem liderança, também já decidiu que não encara, para já, uma nova eleição majoritária. Sua meta é voltar a disputar a Prefeitura do Recife em 2012. Antes disso, vai se dedicar à renovação do PMDB e do seu mandato na Câmara dos Deputados em 2010.
PMDB, DEM e PSDB vão, portanto, buscar renovação. O PMDB de Jarbas, por exemplo, pretende investir no prefeito eleito de Petrolina, o médico estreante Júlio Lóssio. Ele chega ao Recife quinta-feira. Terá um encontro com Jarbas. Outro peemedebista em alta é o prefeito de Abreu e Lima, Flávio Gadelha.
Na oposição, é consenso que a eleição estadual está atrelada ao lançamento de um nome forte para disputar a Presidência da República contra o nome indicado pelo presidente Lula (PT). "Nossa posição no Estado estará muito vinculada à evolução das campanhas presidenciais. Precisamos saber como nossos adversários vão se comportar", analisa Sérgio Guerra. Ele articula a candidatura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), para a presidência da República, numa "ampla aliança" que incluiria PSDB, DEM e uma banda do PMDB.
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