João da Costa ataca Mendonça Filho no rádio

06/08 - 20:16

Agencia Nordeste

RECIFE – Polarização da disputa, referências à continuidade da gestão da Prefeitura de Recife e discurso focado principalmente nas obras e projetos desta administração. É fundamentado nestas três vertentes que o prefeiturável petista e deputado estadual, João da Costa (PT), espera ganhar a eleição deste ano. Hoje, na série de entrevistas com os candidatos na rádio Folha FM, Costa cumpriu a missão de “mirar” num único adversário e só fez alusões críticas ao ex-governador e adversário Mendonça Filho (DEM).

Recentemente, o democrata disse que está “incomodando” os petistas pela campanha propositiva que vem desenvolvendo durante a campanha. O deputado foi duro no rebate. “Como é que vou me incomodar se Mendonça Filho só faz copiar? É um verdadeiro copiador de tudo o que a gente fez e que deu certo. Veja as propostas dele. Mendonça está até procurando ser um cara mais popular, tomar cachaça no meio da rua... Esse tipo de coisa, a população não se engana, sabe que ele é filho das famílias mais ricas de Pernambuco e sempre governou para os mais ricos. Não adianta você sair por aí tomando gole de cachaça pelos bairros pobres para o povo achar que você é um cara popular”, alfinetou.

Como exemplo de programas “copiados”, o parlamentar lembrou das promessas do concorrente em relação à implantação do Bolsa Educação e reformulação do Orçamento Participativo (OP) – programa dirigido por ele na gestão petista. “O Bolsa Educação é uma cópia do que nós fizemos e estamos fazendo. Nós pagamos meio salário mínimo para quem tem um aluno na escola e um salário para quem tem dois alunos. (...) O ex-governador diz que continuará o Orçamento Participativo. Quem fomentou, criou, elaborou a metodologia do Orçamento Participativo? Foi João da Costa. Ele está copiando”, disparou.

Para completar, João da Costa afirmou que quem deve se sentir “aborrecido é Mendoncinha, já que ele é conhecido por 100% das pessoas” e mesmo assim estaria empatado tecnicamente com o petista, que ainda estaria numa faixa de desconhecimento próxima de 50%, na capital. “Quem tem que estar preocupado e aperreado não sou eu”, concluiu.

O candidato negou que a prefeitura tivesse uma parcela de culpa no tocante à taxa de homicídios, que seria a maior entre as capitais do País. Para ele, ações como a urbanização de Brasília Teimosa, além de programas como o Reluz, contribuem para reduzir pontos de violência na cidade. Alertou para a importância de se fazer parceria com o governo estadual, falando da importância do Pacto pela Vida e culpou o ex-governador Mendonça Filho pela violência. “Quem era responsável para combater a violência no Estado e falhou gravemente tem que assumir a responsabilidade. De quem era a responsabilidade? Não era do prefeito João Paulo, nem do secretário João da Costa. Era do ex-governador Mendonça Filho, que falhou muito grave e não teve competência para enfrentar esse problema. E não adianta dizer que não quer discutir o passado, até porque o passado condena”, salientou.

“Quando a gente não tem competência para resolver um problema, não adianta querer negar, tem que assumir”, asseverou Costa. No entanto, quando questionado se havia alguma falha ou omissão por parte da prefeitura, o secretário foi evasivo na sua resposta, se restringindo a colocar iniciativas para o setor.

Não obstante, adiantou algumas propostas para a educação, a exemplo da contratação de mais de 500 professores e a ampliação da educação infantil, aumentando o número de creches. Na saúde, ele pretende fazer convênios com redes públicas e privadas e investir nas policlínicas de urgência. Hoje, existem duas no município. A idéia inicial é elevar o número para três. “Uma policlínica ficaria na Caxangá e as outras na Casa Amarela e zona sul”, resumiu.

Na próxima terça-feira, João da Costa irá mostrar à imprensa, de forma detalhada, suas prioridades para a saúde caso seja eleito. Para o dia 17 deste mês está prevista a apresentação de todo o seu programa de governo.

Temperamento

Nos bastidores, pessoas próximas do petista têm reclamado do temperamento “forte” dele. O candidato associou esse temperamento à capacidade de se indignar. “Eu estou muito tranqüilo. A minha indignação é de quem combate diferenças há 30 anos. Em algum momento você tem uma situação de estresse, é normal. Quando colocaram uma galinha na casa do pai do então vice-governador (Mendonça) não vi ele tão sereno. Então, tem situações em que a gente tem que ponderar. Na política, não podemos ser violentos, mas não podemos achar que as pessoas que fazem política são extraterrestres, não choram, não têm emoção. Sou uma pessoa que me emociono e fico indignado quando me sinto injustiçado”, defendeu-se.

 

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