'Questão do aborto é falso debate', diz Eduardo Campos

Para o governador de Pernambuco presidenciáveis tem mesma posição sobre o aborto e esse tema não dever continuar no segundo turno

Thaisa Lisboa, iG Pernambuco |

Em entrevista à Rádio Folha , o governador reeleito Eduardo Campos (PSB) afirmou que a questão do aborto não deve permanecer no foco da campanha presidencial. Para o socialista, esse tema foi, estrategicamente, usado pela oposição para denegrir a candidata Dilma Rousseff (PT). Eduardo frisou ainda que o tema representa um falso debate e que deve ser vencido porque, segundo ele, o povo quer discutir assuntos como a economia, geração de emprego e redução da desigualdade social.

"Qual a diferença que há sobre a posição de Serra e Dilma sobre aborto? Nenhuma. Acho que esse não é critério de escolha. Com essa situação, se criou um recuo do eleitorado, porque houve uma coisa inconveniente, errada, foi o debate sobre a mídia brasileira”, disse. “Aquilo passou acima do tom, parecendo até uma tentativa de silenciar a mídia, o que não é o perfil do presidente Lula, que é um democrata. Aquele debate foi ruim. Mas eu já disse que o Brasil não escolheu Serra no primeiro turno. O Brasil recuou para Marina, que trabalhou sete anos com Lula no governo, fundou o PT, tem uma história parecida com a de Lula, é séria, correta, se expressou bem durante os debates, defendeu seus valores, suas propostas. Teve o voto da juventude, dos intelectuais, de gente que já foi eleitor do PT. Mas acho que o presidente e Dilma souberam ler o recado das urnas. O Brasil já disse que quer eleger uma mulher. 70% dos eleitores votaram em uma mulher no primeiro turno", completou o governador.

Para Eduardo a eleição da candidata do PT é fundamental para o Estado. "Como o pernambucano vai fazer uma opção por alguém que não vai ajudar Pernambuco? Eu tenho confiança na consciência dos pernambucanos. O que os pernambucanos me deram com a mão não podem tirar com a outra. Eu preciso da vitória de Dilma", declarou.

Questionado se haveria dificuldade de se relacionar como o tucano, caso ele fosse eleito, Eduardo disse que essa é a hora de cada eleitor pensar no Brasil. "É melhor parar esse ciclo que está começando? Vamos pensar no Brasil. Vamos deixar essas questões de lado. Acho melhor o Brasil continuar com alguém que ajudou a fazer essas mudanças, como a Dilma" falou, ressaltando as ações implantadas pelo presidente Lula e que terão continuidade com a ex-ministra. O socialista fez questão de afirma que “não tem nada contra Serra e que só está pensando em Pernambuco”.

O presidente do PSB também avaliou o decréscimo de Dilma em relação às pesquisas de opinião (ela só atingiu 46% votos no Estado). "O que aconteceu, a meu ver, é que nos últimos 30 dias houve uma série de questões que quando se somam formam uma situação que na reta final toca o processo de decisão de quem não está acompanhando a campanha. Tivemos o episódio da Receita Federal, depois o episódio da Casa Civil, depois vieram quinze dias de uma campanha muito agressiva, que entrou na vida pessoal da candidata. Houve uma série de boatos que ela teria dito que nem Deus tiraria essa eleição dela. Ela nunca disse essa frase. Esse boato entrou numa camada de votos de pessoas muito próximas ao Lula e a Dilma", disparou Eduardo.

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