'Querem me inibir', diz Lula ao lado de Dilma

Presidente estreou hoje na campanha presidencial, durante comício organizado no centro do Rio

Andréia Sadi, enviada, e Sâmia Mazzucco, iG Rio de Janeiro |

AE
Dilma, durante o comício no Rio
Em sua estreia na campanha presidencial deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mandou um recado à Justiça Eleitoral. Alvo de várias multas por promover Dilma antes do prazo permitido por lei para a propaganda eleitoral, Lula aproveitou um discurso no comício de que participou na noite desta sexta-feira, no Rio, para fazer uma queixa velada sobre as restrições.

"Há uma premeditação de me tirarem da campanha para que eu não ajude a Dilma a ser presidente. Querem me inibir para eu fingir que não conheço a Dilma. E tem uma procuradora qualquer aí (..) Mas não sou homem de duas caras", afirmou Lula, ao discursar no palanque montado na Cinelândia, ponto final de uma caminhada iniciada na Candelária, no centro do Rio.

"É a companheira Dilma que foi chefe da Casa Civil, que está preparada para a Presidência da República", emendou. 

Além de Dilma, dividiram espaço no palco com o presidente nomes como o vice na chapa presidencial petista, o deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), o candidato à reeleição ao governo do Rio, Sérgio Cabral (PMDB-RJ), o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra (PT), entre outros. 

Voltando-se para a ex-ministra, Lula disse que procurou alguém "competente", "leal" e com "sentimento" para lançar na disputa por sua sucessão. "Posso dizer que colocaria minhas duas mãos no fogo por ela", afirmou o presidente. Lula acrescentou que Dilma tem "cara de anjo" e que, mesmo tendo sido alvo de tortura sob a ditadura militar, "não guarda mágoa".

Dilma aproveitou a ocasião para ironizar o processo de escolha do deputado Indio da Costa (DEM-RJ) para ocupar o posto de vice na chapa de seu principal rival na corrida presidencial, o tucano José Serra. Indio foi escalado para a vaga na última hora, após o DEM resistir à montagem de uma chapa puro-sangue tendo o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) no posto. "Meu vice não caiu do céu, não é um vice improvisado. É uma pessoa competente e capaz", disse Dilma, ao afagar Temer. "Vamos seguir em frente com mudanças feitas no País. Hoje, podemos dizer que melhorou a vida do povo, o Brasil está crescendo."

O governador do Rio, Sérgio Cabral, também discursou. Ao lado de Dilma, Cabral, que disputa a reeleição, garantiu que o Estado terá mais investimentos com a parceria com o governo federal. " Vem aí o PAC2 (Programa de Aceleração do Crescimento)", prometeu o peemedebista. Ele aproveitou para alfinetar o adversário, Fernando Gabeira (PV) , na corrida estadual. " A minoria achou que isso estaria vazio hoje", ironizou.

Comício

A caminhada para DIlma começou na Candelária, no centro do Rio, e seguiu pela Avenida Rio Branco até a Cinelândia, palco histórico de manifestações políticas. A candidata, porém, participou apenas no fim da caminhada. Ela chegou pela rua da Assembleia e seguiu para a Cinelândia, onde dividiu o palanque com Lula e outros políticos.

A forte chuva na cidade, que caiu durante o comício, fez com que as 15 mil pessoas estimadas pela Polícia Militar se dispersassem. Ao final do evento, pouco mais de mil pessoas ainda acompanhavam o discurso da candidata petista. O candidato a vice, Michel Temer, chegou a brincar, dizendo que a chuva era "água benta dos céus que está dizendo que Dilma e Cabral vão ser eleitos".

    Leia tudo sobre: Dilma RousseffJosé SerraPT

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG