Integrantes da campanha de Marina dizem que o apoio que Aloysio Nunes deu a Ricardo Young em SP não significa aliança com tucanos

A cúpula da campanha de Marina Silva à Presidência negou nesta quarta-feira qualquer aproximação com o PSDB, após o apoio que o candidato tucano ao Senado, Aloysio Nunes, deu ao candidato verde Ricardo Young, que também concorre ao Senado em São Paulo.

Na tentativa de neutralizar a transferência do segundo voto para Marta (PT) e Netinho (PCdoB), Aloysio deu a entender ontem em Itu, interior de São Paulo, que vai votar em Ricardo Young na segunda vaga para o Senado Federal. O evento de confraternização entre as duas forças foi armado por um prefeito do PV, que costurou a aliança informal entre os dois candidatos ao Senado.

O candidato do PV ao Senado, Ricardo Young, cumprimenta Aloysio Nunes (PSDB) durante evento de apoio dos tucanos ao PV em Itu, interior de São Paulo
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O candidato do PV ao Senado, Ricardo Young, cumprimenta Aloysio Nunes (PSDB) durante evento de apoio dos tucanos ao PV em Itu, interior de São Paulo
O apoio dos tucanos levantou suspeitas de que PSDB e PV já ensaiam apoio mútuo caso a eleição presidencial vá para o 2° turno. As suspeitas são reforçadas pelo apoio que o candidato Fernando Gabeira recebe de José Serra, no Rio. Além de apoio formal e explícito, o PSDB vem repassando dinheiro para a campanha de Gabeira ao governo fluminense.

O presidente do PV de São Paulo, Maurício Busadim, admitiu que há uma intenção do partido em se aproximar do PSDB, mas visando o apoio dos tucanos para o projeto verde. “Nesse momento da campanha, o que a gente menos quer é criar atrito com os tucanos. A Marina está crescendo e a gente vai precisar do apoio deles no segundo turno”, disse.

Busadim também afirmou que a manobra feita por Aloysio Nunes em São Paulo também pode acontecer com Germano Rigotto (PMDB-RS) e Itamar Franco (PPS -MG), que buscam neutralizar o avanço do PT na corrida para o Senado por seus Estados. Ele disse que os dois candidatos já procuraram o PV para tentar uma aproximação na reta final.

O coordenador da campanha de Marina, João Paulo Capobianco, descartou, porém, qualquer chance de conversa entre as duas campanhas antes do fim das apurações. Segundo Capobianco, o apoio de Aloysio a Young é “apenas programático e não pragmático”.

“Eles (os tucanos) ofereceram apoio ao Ricardo e ele foi na condição de receber apoio, não de dar apoio. A mesma discussão se deu quando o Serra resolveu apoiar o Gabeira no Rio. O PV tem um programa. Se um partido qualquer aderir a este programa e manifestar apoio, não tem nenhum problema”, avaliou o coordenador.

O próprio Ricardo Young diz que o movimento de aproximação entre tucanos e verdes tem a única finalidade de neutralizar o avanço de Netinho e Marta Suplicy no Estado. De acordo com ele, é difícil avaliar quem saíra ganhando mais nessa dobradinha com os tucanos. “Para o Aloysio é interessante porque neutraliza a migração de votos para os adversários. No meu caso, minha visibilidade aumenta, assim como as chances de chegar ao menos entre os quatro mais votados”, analisou.

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