PTB vai para a eleição presidencial dividido

Um dia depois de a cúpula do PTB aderir à campanha de Serra, a ala governista do partido defendeu um contra-ataque

Reuters |

Um dia depois de a cúpula do PTB aderir à campanha de José Serra (PSDB) à Presidência da República, a ala governista do partido defendeu nesta quarta-feira uma estratégia de contra-ataque para fortalecer a candidatura de Dilma Rousseff (PT).

Na terça, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, comunicou a Serra que seu partido aceitara integrar a aliança da oposição. Segundo cálculo do partido, o gesto deve render quase um minuto a mais para a propaganda eleitoral gratuita de rádio e televisão do ex-governador de São Paulo.

Os petebistas ligados ao governo, entretanto, pretendem reforçar o trabalho a favor da ex-ministra da Casa Civil nos diretórios estaduais da sigla.

"Eu vou trabalhar as bases. Aliás, já estou trabalhando", disse à Reuters o líder da legenda no Senado, Gim Argello (DF).

Segundo o parlamentar, dos 27 diretórios regionais do PTB, 16 pretendem estar ao lado de Dilma na eleição de outubro, assim como 90 por cento das bancadas do partido na Câmara dos Deputados e no Senado.

"Estou trabalhando para conseguir os votos dos outros Estados", assegurou, acrescentando que continuará frequentando as reuniões do conselho político da campanha da petista. "O Roberto (Jefferson) fechou com o Serra dentro do princípio de que ele tem mais delegados no partido (na convenção)."

Aliado de Jefferson na costura do apoio formal ao PSDB, o deputado estadual Campos Machado, secretário-geral do PTB e presidente do diretório paulista do partido, disse acreditar que a parcela governista da legenda não ultrapassará a fronteira de cinco Estados. Ele citou, por exemplo, apenas Alagoas, Distrito Federal e Pernambuco entre os diretórios que estão totalmente pactuados com a ex-ministra da Casa Civil. Em São Paulo, o PTB também apoiará os tucanos.

"Os outros estão fechados com a gente ou divididos", comentou, lamentando a desunião do partido.

Segundo ele, no entanto, a legenda só pensará em obrigar os diretórios regionais a seguirem a aliança fechada pela cúpula a partir das eleições de 2014. "Definimos que é preciso respeitar os companheiros que passaram quatro ou oito anos com o governo Lula."

Além do PTB, Serra conta por enquanto com o apoio de DEM, PPS e PSC. Já a coalizão liderada por Dilma é integrada até agora por PMDB, PCdoB, PSB, PDT, PR e PRB. Os dois estão empatados em 37 por cento na liderança do Datafolha, seguidos por Marina Silva (PV). A eleição será em outubro.

Outro caso semelhante é o do PMDB, que também não está inteiro ao lado da petista. Pelos menos os diretórios de São Paulo e Pernambuco já anunciaram apoio a Serra.

A aproximação entre a oposição e o presidente do PTB, Roberto Jefferson, não é nova. Ele foi pivô do escândalo do mensalão, maior crise política vivida pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva, ao denunciar em 2005 suposto esquema de compra de apoio parlamentar pelo Executivo depois que um indicado pelo PTB para um cargo nos Correios foi filmado cobrando propina.

Loteamento de cargos

Em entrevista à rádio Globo AM, no Rio de Janeiro, Serra afirmou que o apoio do PTB não vai alterar sua forma de governar. Na véspera, o tucano criticou duramente o governo por trocar a indicação de cargos na máquina pública pelo suporte de partidos aliados no Congresso.

"Fui candidato a governador e o PTB me apoiou. E não fiz nenhum loteamento. Tive maioria na Assembleia em São Paulo sem troca-troca... Comigo não funciona isso, me apoiam por questões eleitorais. Todos sabem como eu atuo", declarou o pré-candidato do PSDB.

"Por que um partido quer a diretoria financeira de uma empresa ou de um hospital? Só se for para beneficiar a compra para alguém", completou Serra.

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