Presidente do partido, Roberto Jefferson declarou voto em Plínio na véspera do primeiro turno e agora pedirá neutralidade

O presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, disse ao iG que vai submeter à Executiva Nacional, nesta quarta-feira, a revisão do apoio formal à candidatura de José Serra (PSDB) no segundo turno. Apesar da coligação formal com o tucano no primeiro tuno, o partido ficou rachado. Os líderes das bancadas no Congresso apoiaram Dilma Rousseff (PT). Agora há setores insatisfeitos dos dois lados. Com o quadro confuso, a tendência é a neutralidade.

“Vou convocar a Executiva do partido e ouvir a opinião de todo mundo de novo. Há setores dos dois lados (PSDB e PT) que estão insatisfeitos”, disse Roberto Jefferson. Principal defensor da coligação com o PSDB, Jefferson frustrou-se com a falta de espaço na campanha de Serra. Na véspera da votação no primeiro turno, ele acabou declarando voto em Plínio de Arruda Sampaio (PSOL).

Jefferson disse que, no segundo turno, vai defender a tese de neutralidade. “Acho que devemos liberar as bancadas. Pessoalmente, prefiro não apoiar nem Dilma nem Serra. Mas vou ouvir a opinião dos integrantes da Executiva”, disse. Insatisfeito com os tucanos, Jefferson avalia que há dilmistas no PTB que se decepcionaram com a candidata e até com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Essa lista é encabeçada pelo senador Fernando Collor de Mello (AL), candidato derrotado na disputa pelo governo de Alagoas. O ex-presidente da República fez campanha para Dilma, mas acredita que foi prejudicado pelo PT. Líder nas pesquisas até o mês passado, ele acabou não conseguindo chegar ao segundo turno. Foi superado pelo governador Teotônio Villela (PSDB) e pelo ex-governador Ronaldo Lessa (PDT), que teve o apoio do PT.

Líder do PTB na Câmara e também defensor da candidatura de Dilma, o deputado reeleito Jovair Arantes (GO), sexto mais votado em seu Estado, é outro que está insatisfeito com os petistas. “Política se faz com gestos. Apesar de ter pedido voto para Dilma, ninguém nos procurou nem durante o primeiro turno nem agora”, disse Arantes. “O tratamento foi muito ruim. Não tivemos gesto nenhum de apoio”, completou.

Na campanha estadual, Arantes apoiou a candidatura de Marconi Perillo (PSDB) contra Iris Rezende (PMDB), que tem o apoio do PT. “Eu tinha de pedir voto 13 para presidente e 45 para governador”, disse. “Tive vários problemas por causa disso. Cheguei até a ser notificado pela Justiça Eleitoral”, completou.

Apesar da mágoa com PT, Arantes não deixou claro se poderá apoiar Serra no segundo turno. “Quero ouvir minha bancada. Não vou tomar posição sozinho”, disse o líder da bancada federal. Segundo ele, o encontro da Executiva está marcado para as 16 horas desta quarta-feira.

Do lado dilmista, deverá ganhar força o senador eleito Armando Monteiro Neto (PTB). Ele conseguiu ajudar a eleger três deputados federais. No Senado, porém, o líder é Gim Argello (PTB-DF), que também é dilmista. Os dois poderão, no futuro, travar uma luta pelo comando da bancada na Casa. Gim, porém, não conseguiu nenhum deputado do seu partido.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.