Empresa onde foram encontrados dois milhões de panfletos contra a candidata Dilma Rousseff tem como sócia uma filiada ao PSDB

O PT anunciou nesta segunda-feira que vai pedir apuração na Justiça sobre a ligação de supostos partidários do PSDB com a Editora Gráfica Pana, onde foram encontrados dois milhões de panfletos de conteúdo religioso contra a candidata Dilma Rousseff . O pedido do partido terá como base o registro comercial da gráfica, em que aparece uma sócia de nome Arlety Satiko Kobayashi, que detém 50% da empresa e seria filiada ao PSDB desde 1992. Ela é irmã de Sérgio Kobayshi, coordenador de infraestrutura da campanha do presidenciável tucano José Serra

Gráfica foi descoberta pelo PT no último fim de semana
Agência Estado
Gráfica foi descoberta pelo PT no último fim de semana
Na ação, o partido também pedirá investigação sobre uma entidade chamada Associação Theotokos, que teria pago a impressão dos folhetos. Ligada ao antigo Partido Integralista, a associação tem relação com a Diocese de Santo André (SP), de onde teria partido a ordem para a impressão dos panfletos, encomendados pelo bispo Luiz Gonzaga Bergonzini, de Guarulhos.

Os donos da gráfica apontaram um funcionário da Theotokos, Kelmon Luis de Souza, como sendo a pessoa que teria intermediado a negociação com a diocese para a impressão dos panfletos.

Com base nestas informações, o PT pedirá que seja esclarecido de onde veio o dinheiro que financiou a impressão, calculado em cerca de R$ 60 mil. O partido também quer saber se a Diocese foi mesmo a responsável pela encomenda à Pana.

Outra revelação foi feita pelo deputado José Mentor durante a coletiva. Ele afirmou que Paulo Ogawa, pai de outro sócio da gráfica, Alexandre Ogawa, teria trabalhado no Ministério da Saúde no ano 2000, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Segundo o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), coordenador da campanha de Dilma, haveria "indícios veementes de participação de membros do PSDB na impressão do material" encontrado na gráfica. “Esta ação orgânica não é apenas coincidência. Não quero acusar os adversários sem provas, por isso vamos pedir a investigação”, afirmou o parlamentar.

O PT também vai entrar com uma segunda ação judicial pedindo investigação sobre um suposto serviço de "telemarkeing" que estaria telefonando para as residências dos eleitores, associando Dilma a escândalos e a posições polêmicas sobre aborto. A ação foi denunciada por jornais de Brasília e Minas Gerais. 

Funcionário público

Procurado pelo iG , o contador Paulo Ogawa, pai do sócio da Gráfica Pana, disse que nunca foi funcionário do Ministério da Saúde e nunca fez parte de nenhum partido político. Ele afirmou que trata-se de uma confusão, porque seu nome verdadeiro é Tomomi Ogawa. Paulo é um nome de batismo que ele ganhou ao se integrar à comunidade brasileira. O PT reconheceu o erro, mas disse que a confusão não tira o peso das denúncias contra a gráfica.

Tomomi Ogawa é marido de Arlety Satiko Kobayashi e disse que há vários anos não conversa com o cunhado Sérgio Kobayashi, que tinha ciúmes do seu relacionamento com a irmã.

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