PT testa 'intensivão' de Dilma em 1º comício ao lado de Lula

Candidata do PT à Presidência passou por processo de treinamento para aguentar corpo a corpo eleitoral, como o de amanhã no Rio

Andréia Sadi, iG Brasília |

Novata na cena eleitoral, a presidenciável Dilma Rousseff (PT) vai mostrar durante comício marcado para esta sexta-feira (16), no Rio de Janeiro, o resultado do treinamento intensivo a que vem se submetendo com profissionais especializados em construção de imagem desde que virou a candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O PT garante que, para o corpo a corpo que fará ao lado do presidente, Dilma não passou por um tratamento especial. O plano é aproveitar o que ela aprendeu nos últimos meses sob orientação do marqueteiro João Santana. 

A ordem é adotar na campanha de rua a mesma postura prevista para os embates com os demais presidenciáveis nos debates na TV - discurso curto e objetivo. Consideradas longas e cansativas, as falas públicas de Dilma durante a pré-campanha custaram a empolgar os militantes petistas. A coordenação aposta que as aulas que a petista teve com a jornalista e especialista em treinamento de mídia Olga Curado serão suficiente para "segurar" a nova fase da campanha.

De lá para cá, Dilma também praticou fonoaudiologia para evitar a rouquidão. Recebeu ainda  orientação para se soltar em público e abandonar cada vez mais a postura de “gerentona”, herança da época em que ocupou o ministério da Casa Civil.

Na última terça-feira, durante o lançamento do comitê central da campanha, em Brasília, a coordenação deu sinais de qual deve ser o roteiro seguido por Dilma. Números e dados burocráticos deram lugar a um discurso enxuto - com cerca de 15 minutos - e informal.

AE
Campanha quer discurso sob medida para não cansar público

"A ideia é que, a partir de agora, ela fale por menos tempo. Não tem necessidade de fazer discursos como o do congresso do PT, nem como o da convenção, que era mais oficial”, explicou o presidente do PT, José Eduardo Dutra. Também foi a equipe de Santana que aconselhou Dilma a dar respostas mais curtas durante entrevistas.

A ex-ministra também vai aproveitar o “know how” que adquiriu durante os últimos dois anos na Casa Civil, quando começou a ser moldada pelo presidente Lula para a sua sucessão. Foi nesta época que ela começou a rodar o País para lançar obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Os minicomícios de que participou até agora também servirão de referência para a petista nestas caminhadas até outubro.

"Ela já vem se preparando para este tipo de evento desde que começou a pré-campanha. Todos os atos de que Dilma participou já são treinamentos em si", disse o deputado federal José Eduardo Cardozo, um dos coordenadores da campanha.

Comparação

A equipe de campanha torce para que, com as melhorias no roteiro de Dilma, a comparação entre a performance dela e a de Lula em eventos públicos não seja exaltada pela mídia nem pela população. "Todo mundo fica na expectativa de que ela fale como o Lula, que a candidata improvise, o que é impossível. Ele tem um script próprio, a Dilma ainda não, mas estamos satisfeitos com o bom desempenho dela", avaliou um dirigente petista.

Com a agenda atropelada pela pré-campanha, Dilma diminuiu o ritmo das atividades físicas. Antes, costumava caminhar todos os dias e fazia aulas de pilates. A candidata já admitiu, em entrevista a uma rádio no Nordeste, ter engordado alguns quilos desde o começo da pré-campanha.

Rotina típica de campanha, sem alimentação regrada, as visitas a bases eleitorais geralmente exigem refeições “picadas”. Mas, segundo assessores, Dilma está de dieta para conter eventuais ganhos calóricos durante a campanha eleitoral.

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