PT sonha com o PMDB no Mato Grosso do Sul

Partido dos Trabalhadores quer aliança com o PMDB, mas Puccinelli se mantém ao lado do PSDB de Serra

Alessandra Messias, iG Campo Grande |

O Partido dos Trabalhadores (PT) de Mato Grosso do Sul procurou o governador André Puccinelli (PMDB) para pedir apoio à campanha de Dilma Rousseff no Estado. No entanto, o peemedebista ignorou o pedido e mantém a aliança com José Serra (PSDB) no segundo turno.Na primeira etapa da eleição para presidente da República, o PMDB local apoiou o candidato tucano.

Para somar força na campanha de Dilma, o PT assedia os peemedebistas na tentativa de virar o jogo eleitoral no Estado. Porém, Puccinelli tem afirmado à aliados mais próximos que não cederá a pressão.
O deputado estadual reeleito, Marquinhos Trad (PMDB), afirma que “ficaria muito ruim para o partido mudar, da noite para o dia, de opinião.”

O líder da Assembléia Legislativa de MS e deputado estadual Youssif Domingos (PMDB) assegura que a “sociedade não iria entender” a mudança repentina. Entretanto, o presidente do PT Marcus Garcia diz que convidará o presidente regional do PMDB, Esacheu Cipriano Nascimento, para “costurar apoio com lideranças peemedebistas.”

Aliança nacional

A aliança do PMDB com o PT no cenário nacional, na avaliação de Marcus Garcia, favorece o diálogo entre as lideranças no Estado. Garcia lembra que o presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP) é o vice de Dilma. Em Brasília (DF), o ex-governador Zeca do PT esteve reunido com os deputados federais Dagoberto Nogueira (PDT) e Vander Loubet (PT) e o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, coordenadores da campanha de Dilma.

Eles discutiam a estratégia eleitoral para Mato Grosso do Sul com o intuito de “transferir” os votos de Serra. Em nome da vitória, os petistas deixaram o orgulho de lado para fortalecer a campanha da “fada madrinha” de Puccinelli.

No Estado, os deputados não aceitam dividir espaço com os petistas. “O PMDB não deu exemplo de obediência à direção nacional no primeiro turno, portanto, acho que agora é tarde para provar fidelidade,” comentou Marquinhos Trad. “Vou continuar do lado do Serra”, finaliza.

Esacheu Nascimento também apóia Serra e ainda destacou que não foi “procurado” por Marcus Garcia, que disse que iria lhe pedir apoio. A vice-governadora eleita, Simone Tebet (PMDB), também se posiciona pela eleição do tucano. No Estado, dois peemedebistas apoiaram a campanha de Dilma: o prefeito de Campo Grande Nelsinho Trad (PMDB) e o senador Valter Pereira (PMDB).

Após a eleição, Puccinelli anunciou apoio a Serra, mas marcou o encontro de hoje a tarde para “não dizerem que o André decide tudo sozinho,” segundo Nascimento. Depois de estarem reunidos por duas horas a portas fechadas, os peemedebistas lavaram a ‘roupa suja’ e afirmaram que irão cobrar fidelidade partidária dos integrantes da legenda na próxima eleição.

Fidelidade partidária

No MS, o comportamento de parlamentares da sigla no primeiro turno das eleições foi repartido com partidos adversários. “O PMDB que eu presido vai ter que cumprir o princípio da fidelidade partidária”, adianta Esacheu Nascimento. O governador André Puccinelli admite que o partido deve estar mais unido para as próximas eleições.

Puccinelli também menciona que o senador Valter Pereira pode ser expulso do partido. Depois de ter perdido as prévias internas para o deputado federal Waldemir Moka, que acabou sendo eleito senador, Valter resolveu "mudar de lado". Rejeitado, Valter Pereira apoiou as candidaturas de Zeca do PT ao governo e Dagoberto Nogueira (PDT) ao Senado, e pediu voto para eles e Dilma na TV.

Os novos parceiros de Valter Pereira não se elegeram e o mandato dele termina daqui a dois meses. André pediu que o assunto ficasse “congelado”, mesmo com o pedido feito pela Juventude do PMDB de expulsá-lo do partido.


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