PT pode adotar neutralidade no Maranhão

Assunto será levado a votação em reunião do Diretório Nacional do partido, agendada para a próxima sexta-feira

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O Diretório Nacional do PT vai decidir nesta sexta-feira qual será a posição do partido na eleição para o governo do Maranhão. Duas propostas serão levadas a votação. A primeira --e ainda majoritária-- é simplesmente revogar a decisão do PT maranhense, que aprovou o apoio a Flavio Dino, do PC do B, e fechar uma coligação formal com Roseana Sarney (PMDB). A segunda proposta, que ganha força no partido, é adotar a neutralidade e liberar os filiados.

“A nossa proposta continua sendo o apoio formal à Roseana com todas as implicações práticas e legais como palanque, tempo na TV, programa e tudo mais. Ainda é maioria. A outra proposta é não dar o tempo na TV para ninguém, liberar o pessoal para apoiar qualquer um dos dois candidatos e só termos candidatos a deputado estadual e federal”, disse o secretário de Organização do PT, Paulo Frateschi.

O principal defensor da segunda proposta é o deputado José Eduardo Cardozo (SP), secretário-geral do PT e integrante da coordenação da campanha da ex-ministra Dilma Rousseff à Presidência. Cardozo não foi encontrado nesta quarta-feira para falar do assunto, mas, segundo pessoas próximas, um grupo de petistas avalia que o apoio formal a Roseana poderia causar transtornos na campanha presidencial.

No PT existe o temor de que o deputado maranhense Domingos Dutra (PT) cumpra a ameaça de fazer uma greve de fome no plenário da Câmara, caso a direção nacional imponha o apoio a Roseana. Isso poderia causar uma nova crise na campanha de Dilma. Existem ainda o trauma decorrente da única intervenção local feita até hoje pelo PT, no Rio de Janeiro, em 1998, que resultou na fragmentação do partido no Estado.

Além disso, avaliam que o PT já pagou um preço alto pela aliança nacional com o PMDB ao abrir mão da candidatura em Minas Gerais e ceder a vice de Dilma a Michel Temer.

Na semana passada Frateschi e Cardozo foram a São Luís para ouvir queixas do grupo contrário a Roseana que acusa o PMDB local de oferecer suborno a delegados petistas em troca de apoio à governadora. “Ouvimos algumas histórias mas ninguém tem prova de nada. É pura briga interna”, disse Frateschi.

Na quinta-feira, as correntes internas do PT farão diversas reuniões para definir suas posições na reunião de sexta-feira. Embora o Diretório Estadual do Maranhão tenha aprovado com uma margem estreita de votos o apoio a Dino, o Congresso Nacional do PT, instância máxima do partido, realizado em fevereiro, conferiu ao diretório nacional poderes para interferir nos Estados e aplicar a política que julgar mais adequada aos interesses nacionais.

A possível neutralidade do PT na eleição maranhense pode gerar novos ruídos com o PMDB, em especial com o clã Sarney, que não abre mão do apoio formal do partido. “A governadora espera o apoio formal do PT até porque o partido participa efetivamente do governo comandando pastas estratégicas como as de Educação, Desenvolvimento Social e Trabalho. Além disso, a governadora apoiou o presidente Lula desde o primeiro momento”, disse o secretário estadual de Comunicação do Maranhão, Sérgio Macedo.

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