PT monta operação para conter danos de dossiê

Plano é dizer que qualquer iniciativa não teve aval do comando nacional da campanha de Dilma

Clarissa Oliveira, iG São Paulo, e Andréia Sadi, iG Brasília |

Atingida pelas denúncias sobre a suposta operação para produzir um dossiê contra o tucano José Serra (PSDB), a campanha presidencial da ex-ministra Dilma Rousseff montou às pressas uma operação para minimizar o estrago do noticiário sobre o assunto. A ordem dada pela cúpula petista, reforçada pessoalmente por Dilma nas conversas com seus principais auxiliares na manhã de hoje, é investir na tese de que qualquer iniciativa de espionagem de adversários e recrutamento de arapongas não teve respaldo do comando da campanha.

Ao longo da manhã, petistas investiram em negativas sobre a existência do esquema de espionagem. Nos bastidores, afinaram o discurso de que qualquer recrutamento de arapongas para levantar informações dentro ou fora da campanha teria ocorrido por determinação exclusiva do jornalista Luiz Lanzetta, responsável por parte da comunicação da campanha.

Diante do envolvimento do nome do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel nas notícias que tratam do tema, também passou a vigorar com mais ênfase a afirmação de que o real comando da campanha sempre esteve nas mãos do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci e do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra.

Dilma orientou aliados a não alimentar demais o noticiário sobre o caso. Também ficou acertado que iniciativas prometidas antes deste fim de semana, como a de interpelar judicialmente Serra por ter responsabilizado Dilma pela suposta produção do dossiê, serão levadas adiante.

O caso sobre o suposto esquema de espionagem montado dentro da campanha petista ganhou força com notícias veiculadas neste fim de semana por jornais e revistas semanais. A revista Veja , que já havia divulgado na semana passada reportagem sobre a suposta tentativa de setores da campanha petista de produzir um dossiê contra Serra, veiculou hoje uma entrevista com o delegado aposentado da Polícia Federal Onésimo Souza.

Apontado pela reportagem como chefe do grupo de espionagem, ele disse ter sido orientado a levantar até “coisas pessoais” sobre adversários. Além de ter a tarefa de detectar um suposto vazamento de informações dentro da campanha, Onésimo diz ter sido escalado para monitorar Serra, o deputado Marcelo Itagiba, seus amigos e seus familiares.

A reportagem foi reforçada por notícia divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo , que também confirma a montagem de uma equipe de espionagem, integrada pelo sargento da reserva Idalberto Matias de Araújo. Caberia a ele, diz o texto, a indicação de Onésimo e de outros agentes. O assunto, segundo o jornal, chegou a ser discutido com Pimentel, que teria inclusive se queixado do preço cobrado pelo serviço.

A revista Época também se debruçou sobre o tema. Trouxe reportagem sobre a perda de espaço de Pimentel dentro do comando da campanha e a ascensão de Palocci como o responsável por comandar a estratégia para levar Dilma ao Palácio do Planalto.

Ao iG , Pimentel negou qualquer participação. “Nunca houve montagem de esquema de espionagem”, disse o ex-prefeito de Belo Horizonte, dizendo ter tomado conhecimento do encontro entre Lanzetta e Onézimo pela imprensa. "Jamais fui informado de qualquer reunião para tratar de assuntos de segurança, vigilância ou qualquer tema correlato", reiterou, em nota à imprensa. 

Também investindo na negativa, o presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, engrossou o coro: "As pessoas (do PT) tomaram conhecimento da história quando foram questionadas pela imprensa. O partido foi procurado pela imprensa., ficou sabendo assim".

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