PT e PMDB tentam resolver impasse em Minas

Sem acordo das direções regionais, comandos nacionais das duas siglas trabalham para impor um acerto

Bernardino Furtado, iG BH, e Clarissa Oliveira, iG São Paulo |

PT e PMDB se reúnem nesta segunda-feira para tentar novamente resolver o impasse na montagem de um palanque único no segundo maior colégio eleitoral do País. Após as direções partidárias em Minas Gerais fracassarem nos esforços para chegar a um acordo, o assunto foi levado a discussão nos comandos nacionais das duas siglas.

Desde hoje de manhã, petistas e peemedebistas se revezam em encontros para tentar fechar um palanque no Estado. Inicialmente, estava prevista para as 10 horas uma reunião entre os presidentes do PT, José Eduardo Dutra, e do PMDB, deputado Michel Temer (SP), além dos pré-candidatos das duas siglas ao governo mineiro – o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel (PT) e o ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB). O encontro foi adiado uma primeira vez para o meio-dia e agora foi empurrado novamente para o fim da tarde.

No domingo, os dois lados adotavam um discurso cada vez mais alinhado ao plano traçado pelo Palácio do Planalto e pelo comando da campanha presidencial da ex-ministra Dilma Rousseff (PT), que trabalham para lançar Costa como o candidato ao governo mineiro, deixando a Pimentel a vaga para o Senado. “Nós vamos continuar tentando buscar a melhor solução. Mas, em última instância, o acordo firmado nacionalmente será cumprido”, disse Pimentel ao iG . “Eu tenho a impressão de que tudo vai se resolver positivamente para nós”, reforçou Temer.

O PT mineiro passou a tarde de domingo debruçado em uma operação para tentar convencer Costa a abrir mão da candidatura ao governo. O comando regional petista chegou a propor que Pimentel ficasse como candidato a governador, tendo como vice o presidente licenciado da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade. Costa, então, seria o único candidato da coligação ao Senado.

Costa e Pimentel não estavam presentes na reunião. Ainda assim, mobilizaram interlocutores para assegurar sua participação na negociação. Em determinado momento, o time do ex-prefeito chegou a enxergar a oportunidade de selar um acordo. Mas, ao fim das conversas, Costa manteve a reivindicação da cabeça de chapa.

Imposição

Caso decida aplicar o acordo firmado na esfera nacional, a direção do PT terá de enquadrar as instâncias regionais. Firme no discurso da candidatura própria, o PT mineiro fazia duas apostas com base no seu calendário político e no do PMDB. Regimentalmente, uma intervenção no Diretório Estadual para impor a candidatura de Hélio Costa só poderia ser adotada na reunião do Diretório Nacional do partido, marcada para o dia 11. O encontro será na véspera da convenção nacional do PMDB, que deve sacramentar a aliança nacional em torno da candidatura de Dilma, com Temer no posto de vice.

A direção do PT de Minas acredita que será muito difícil a aprovação da intervenção porque representantes de outros diretórios com dificuldades na aliança estadual com o PMDB, como o Maranhão e o Pará, resistiriam para evitar que sofressem a mesma penalidade. Os petistas mineiros também duvidam que, às vésperas da Convenção Nacional do PMDB, Hélio Costa tenha força suficiente para ameaçar a chapa Dilma-Temer.

*Colaborou Andréia Sadi, iG Brasília

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