PT e PMDB têm racha em quase metade do País

Levantamento feito pelo iG junto aos partidos mostra que em 12 Estados eles deverão estar em lados opostos

Andréia Sadi e Adriano Ceolin, iG Brasília |

A menos de 30 dias para formalizar a coligação para disputa da Presidência da República, o PT e o PMDB apresentam dificuldades para acertar alianças nos Estados. Um levantamento feito pelo iG junto ao PT e o PMDB mostra que, em pelo menos oito Estados, há acordo entre os partidos para formação de um único palanque, em mais sete ainda estão abertas as negociações e em doze os partidos deverão estar em lados opostos. 

O principal objetivo da parceria é a formação da chapa nacional, em que a ex-ministra Dilma Rousseff (PT) será a candidata a presidente e o deputado federal paulista Michel Temer (PMDB) será o vice. No entanto, firmado em outubro passado, o pré-acordo entre os partidos nunca chegou a ser ameaçado em nível nacional. 

Porém, as cúpulas dos dois partidos sempre visaram reproduzir a aliança no maior número de Estados possível. Em alguns casos, as Executivas de PT e PMDB chegaram a condicionar a coligação a um acerto entre seus diretórios regionais. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também prometeu entrar em campo para solucionar problemas.

Para este sábado, o PMDB havia agendado o encontro que selaria Michel Temer como vice de Dilma. Mas problemas de aliança nos Estados adiou o evento para 12 de junho, véspera da convenção nacional do PT. O PMDB quer que o aliado ceda em alguns Estados antes de oficializar o casamento.

Minas Gerais é o caso mais emblemático. Segundo maior colégio eleitoral do País, o Estado tem sido classificado como fiel da balança na eleição deste ano. Ex-ministro das Comunicações, o senador mineiro Helio Costa é o pré-candidato ao governo lançado pelo PMDB. Ele sempre disse ter a promessa de que o PT o apoiaria.

Até agora, isso não ocorreu. Há duas semanas, os petistas fizeram uma prévia em que o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel foi escolhido pré-candidato ao governo. Ele próprio cogita abrir em nome de Costa e concorrer ao Senado. No entanto, tem sido pressionado pelo diretório do PT de Minas.

De acordo com a legislação eleitoral, os partidos não precisam reproduzir nos Estados a aliança nacional _ao contrário do que ocorreu em 2002 quando a verticalização era obrigatória. Por isso, há casos em que PT e PMDB estão em chapas adversárias, como São Paulo, Pernambuco, Acre, Rio Grande do Sul e Paraná.

Contudo, a coligação nacional precisa ser aprovada em convenção nacional - encontro partidário em que filiados ou representantes dos filiados votam a favor ou contra a aliança. O PMDB sempre registrou disputas acirradas em convenções. Isso porque os delegados que votam nos encontram representam os Estados.

Cada Estado tem um número de votos que varia de acordo com os cargos que seus integrantes têm nos poderes Legislativo, Executivo e na estrutura do partido. No PMDB, o diretório de Minas Gerais é o segundo com maior número de votos. Ao todo, são 69 votos.

Apesar dos problemas em Minas, no Rio de Janeiro é a aliança está praticamente selada. O governador Sérgio Cabral (PMDB) será candidato à reeleição. O ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias (PT) e o deputado estadual Jorge Picciani (PMDB) ficarão com as vagas ao Senado. Com 80 votos, o diretório do Rio é o mais poderoso na convenção.

Cada caso é um caso

Para o PT nacional, a prioridade é eleger a ex-ministra Dilma. Em segundo plano, está a formação de uma bancada forte no Congresso, com senadores e deputados do partido. Só em terceiro está a eleição de governadores. No entanto, lideranças brigam para fazer prevalecer as alianças locais e

No Maranhão, por exemplo, o PT e PMDB estão em lados opostos. Mas o partido de Michel Temer está prestes a conseguir o apoio dos petistas, isolando o candidato a governador do PCdoB, Flávio Dino. Em votação do diretório, o PT aprovou apoio a Dino, mas devido à pressão do clã Sarney, pode perder o aliado em nova decisão. “Eu não discuto a aliança com o PMDB, agora, isso não se transporta mecanicamente para os Estados. E o mundo não acaba por isso, não existe verticalização exatamente por conta da singularidade da luta local”, disse Dino à reportagem.

Apoiado pelo PT, o candidato ao governo de Alagoas Ronaldo Lessa (PDT) critica o assédio do adversário Fernando Collor (PTB) ao PMDB. Collor tenta emplacar o PMDB na vice, mas Renan Calheiros, um dos principais caciques do partido, vai disputar o Senado pela chapa de Lessa. “Collor faz isso para confundir. Ele convidou o Renan para ficar com ele, mas Renan negou. Disse que tinha compromisso com nossa frente”, garantiu Lessa.

No Acre, o candidato ao Senado Jorge Viana (PT) disse que diferenças regionais eliminam a parceria. “Não dá jogo por conta da política local. O PMDB está muito enfraquecido aqui”, explicou. Jorge é irmão do candidato do PT ao governo no Estado, Tião Viana.

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse que as conversas estão sendo feitas nos Estados. O iG apurou que, para resolver as pendências estaduais, o partido envia às regiões um representante. Na maioria das vezes, são escalados José Dutra, José Eduardo Cardozo ou até mesmo o ex-ministro José Dirceu.

O provável vice de Dilma, Michel Temer, disse após reunião entre discutiu o palanque do PT e PMDB de Minas, em Brasília, que os partidos estão “alinhavando os acordos nos vários Estados”. O objetivo, segundo ele, é chegar à convenção nacional e ter uma “tranquila aliança nacional”. 

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