PT acha que atrai Marina, mas não o PV

Pessimismo em relação à possível adesão do PV vem das ligações do partido com aliados de Serra

Ricardo Galhardo e Andréia Sadi, iG Brasília |

A coordenação da campanha da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff , dá como praticamente certo o apoio do PV ao tucano José Serra . Vários emissários do PT foram destacados para negociar diretamente com Marina Silva um possível apoio a Dilma, mas a campanha trata esta possibilidade com certo ceticismo.

Segundo integrantes da coordenação da campanha, Marina tem dado sinais de que deve se manter neutra no segundo turno. Por isso as negociações são feitas com discrição. A campanha teme que um possível anúncio de neutralidade por parte de Marina seja interpretado como uma recusa em apoiar Dilma e causar prejuízos à candidata.

Nos bastidores, as movimentações já começaram. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, coordenador da campanha de Dilma, falou ainda na segunda-feira com Marina, com quem tem bom relacionamento desde a época em que ambos eram senadores pelo PT.

O governador eleito do Acre, Tião Viana (PT), e seu irmão, o ex-governador Jorge Viana (PT), também foram escalados para conversar com a candidata verde.

Um dos coordenadores da campanha de Dilma, o secretário do PT, José Eduardo Cardozo, aposta no histórico de Marina para convencê-la a apoiar Dilma. “O PV eu não garanto, mas Marina tem valores e idéias com raízes no PT”, justifica.

A própria Dilma telefonou para Marina. A petista disse que não espera o apoio do PV na sua base aliada, mas admitiu negociar o apoio da ex-candidata em um segundo momento.

O pessimismo em relação à possível adesão do PV vem das ligações do partido com aliados de Serra como o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que acolheu o partido em sua administração, e do candidato derrotado ao governo do Rio de Janeiro Fernando Gabeira, que teve o apoio do PSDB.

Em outra frente os petistas negociam com líderes da base de Marina, alguns deles ex-petistas que deixaram o partido junto com a senadora acriana.

“A abordagem tem que ser feita de forma delicada, eu diria que de forma politicamente elegante”, disse o presidente do PMDB e candidato a vice de Dilma, Michel Temer.

Ele defende que a campanha de Dilma incorpore desde já ao programa de governo propostas de Marina com o objetivo de atrair o eleitorado da senadora. “O que importa são as propostas”, disse Temer.

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