PSDB vê PP neutro e investe em alianças nos Estados

Tucanos consideram difícil coligação nacional com o PP. Objetivo agora é conquistar apoios da maioria dos diretórios regionais

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Com poucas chances de formar uma aliança nacional com o PP, o PSDB resolveu investir na conquista de apoios dos diretórios dos partidos nos Estados. Na noite desta quinta-feira, o presidente do PP, senador Francisco Dornelles (RJ), teve um encontro com o coordenador-geral da campanha de José Serra, Sérgio Guerra.

A conversa ocorreu no gabinete de Guerra no Senado. Os dois traçaram uma avaliação do quadro nacional após o resultado das últimas pesquisas. Dornelles deixou a sala e disse que o PP deverá ficar neutro na disputa pela Presidência da República. Isso porque parte da sigla prefere apoiar Dilma Rousseff (PT). A decisão oficial, porém, será tomada na convenção do partido no final de junho.

“No começo do ano, 20 dos 27 diretórios preferiam apoiar a Dilma. Dizem que isso se equilibrou, por isso devemos ficar neutros”, disse Dornelles. O senador, no entanto, afirmou que sua visita ao gabinete de Guerra visou preparar uma conversa entre ela e a deputada Angela Amim (PP), pré-candidata ao governo de Santa Catarina.

O caso de Angela, de certo modo, reproduz a briga entre PT e PSDB pelo PP. Em Santa Catarina, os petistas também negociam uma aliança com a deputada. No entanto, o PT quer lançar Ideli Salvatti ao governo e convencer Angela a disputar ao Senado. Há duas semanas, ela teve um encontro com Dilma, mas as negociações não avançaram.

O iG conversou com a deputada catarinense após o encontro com Guerra. Ela não quis confirmar o acordo com os tucanos, mas elogiou o PSDB. “Eu, pessoalmente, prefiro José Serra. No governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), eu era prefeita [Florianópolis] e sempre fui muito bem recebida em Brasília”, afirmou Angela.

Se fechar a aliança em Santa Catarina, o PSDB conquistará o terceiro acordo com o PP na região Sul. No Paraná, o candidato ao Senado pelo PP, Ricardo Barros, fará parte da chapa de Beto Richa, que disputar o governo do Estado. No Rio Grande do Sul, o PP já anunciou formal à candidatura de José Serra.

O objetivo do PSDB era formar uma aliança com PP, inclusive com a possibilidade de fazer Francisco Dornelles o candidato a vice de Serra. Dois fatores, porém, atrapalharam as negociações: a queda do tucano nas pesquisas e o fato de Dornelles ter sido o autor da emenda que beneficiou políticos com ficha suja na votação do projeto sobre o assunto.

“O PP é muito pragmático. Essas últimas pesquisas pesam nas negociações”, afirmou o deputado Bruno Araújo (PSDB-PE). Um outro deputado tucano muito próximo a José Serra resumiu: “Agora nosso principal objetivo é evitar que o PP se alie com a Dilma. É melhor que fique neutro mesmo”.

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