PSDB tenta garantir espólio de Quércia na disputa em São Paulo

Tucanos querem herdar estrutura de campanha e o eleitorado do pemedebista, mas mantêm cautela em relação ao caso

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Com o candidato tucano ao Senado Aloysio Nunes Ferreira à frente, o PSDB tenta herdar a estrutura de campanha e eleitorado de Orestes Quércia (PMDB) na disputa em São Paulo. O ex-governador paulista desistiu nesta segunda-feira de concorrer ao Senado para se tratar de um tumor na próstata.

Os tucanos tentam manter cautela em relação ao caso, mas nos bastidores avaliam que a desistência de Quércia irá ajudar Aloysio Nunes. Ex-secretário da Casa Civil de José Serra no governo de São Paulo e atual deputado federal, Aloysio aparece até então em quinto lugar nas pesquisas eleitorais.

“Perdemos com a desistência do Quércia, mas temos a certeza de que o grupo dele vai garantir a vitória do Aloysio, ajudar a candidatura do Geraldo Alckmin no governo de São Paulo e do Serra na Presidência”, disse Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB e coordenador da campanha de Serra no País.

Subsecretário da Casa Civil e um dos braços direitos de Aloysio no governo de São Paulo, João Faustino afirma que a saída de Quércia da disputa “é um gesto de maturidade política”. “A desistência dele e o apoio ao PSDB consolidam a posição do Aloysio”, disse Faustino. “Nosso grupo permanecerá forte”, completou.

Deputado federal e candidato à reeleição, Francisco Rossi (PMDB) enfrentou Quércia na disputa pelo comando do partido em São Paulo. Ex-prefeito de Osasco e duas vezes candidato a governador, ele teve o apoio da Executiva Nacional do PMDB. Por isso, faz campanha para Dilma Rousseff (PT ) e não para José Serra, que é o candidato do PMDB paulista.

Apesar disso, Rossi avalia que “não há clima” para uma mudança de rumo no apoio ao PSDB. “Eu pessoalmente voto no Michel Temer (candidato a vice presidente na chapa do PT) e consequentemente na Dilma”, disse. “Neste momento, seria deselegante uma interferência. Temos de respeitar a posição do Quércia, que é meu amigo”, completou.

O vice-presidente nacional do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), afirmou, porém, que o partido em São Paulo poderá se aproximar do PT em São Paulo com a saída de Quércia na disputa. “Lamentamos o que ocorreu com Quércia. Eu queria ele no Senado comigo”, disse. Raupp. “Acho natural que o PMDB nacional busque um entendimento com a ala paulista”.

Para Raupp, o presidente licenciado do PMDB e candidato a vice de Dilma, Michel Temer, deverá se aproximar dos correligionários de Quércia. “É natural que o PMDB nacional tente absorver o apoio do PMDB de São Paulo”, disse. “Temer deve procurar os integrantes do diretório paulista nos próximos dias”, afirmou.

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