PSDB negocia com DEM apoio à indicação de Alvaro Dias

Apesar da entrada em campo de "bombeiros" de ambos os lados, Rodrigo Maia insiste na indicação de um democrata para ocupar a vice

AE |

Mesmo diante das ameaças do DEM de retirar seu apoio formal à candidatura do presidenciável tucano José Serra, o comando nacional da campanha do PSDB permanecia irredutível na indicação do nome senador Alvaro Dias (PR) como candidato à vice-presidência. Coordenador da campanha tucana e presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE) passou parte do dia em negociações com o DEM.

A convenção do democratas está marcada para esta quarta-feira, dia 30, quando o partido deverá formalizar o apoio a Serra e, com isso, dar mais três minutos de TV para o tucano ao longo dos 45 dias do programa eleitoral gratuito.

Os tucanos tentarão convencer os democratas a aceitar o nome de Dias e, dessa forma, pôr um ponto final na crise deflagrada entre as duas legendas. "Não é a primeira vez que essas diferenças acontecem. Sugerimos o nome de Alvaro Dias. Ponto. O DEM tem a posição dele", afirmou Guerra, que deverá se reunir no domingo ou segunda-feira com os partidos que integram a campanha de Serra. "O DEM reivindica que a vice tem que ser do partido. Vamos deixar o processo andar", disse o deputado Jutahy Magalhães (PSDB-BA).

Mas, apesar da entrada em campo de "bombeiros" de ambos os lados, o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), insiste na indicação de um democrata para ocupar o cargo de vice na chapa de Serra. Um dos argumentos foi o de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "sacrificou" vários aliados nos Estados em prol da candidatura da petista Dilma Rousseff à presidência da República. E citou os casos dos ex-prefeitos Fernando Pimentel (PT-MG) e Lindberg Farias (PT-RJ), que tiveram que abrir mão de suas candidaturas ao governo estadual para o PMDB.

"Mas PSDB não quer sacrificar ninguém", observou Maia. Seu pai, o ex-prefeito Cesar Maia foi na mesma linha. "Nenhum presidente da República eleito depois de 1945 tinha chapa de um só partido. Será agora? O PT sacrifica seus interesses regionais a favor da candidatura nacional. O PSDB faz exatamente o contrário", escreveu Cesar em seu twitter. Ele concluiu a mensagem com ironia: "Foi lançado em São Paulo o livro 'Estratégias de como Perder uma Eleição'. Editora Labirinto".

Rodrigo Maia ficou particularmente irritado com o anúncio do nome de Dias para o cargo pelo twitter do presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ), durante o intervalo do jogo de ontem da seleção brasileira. O vazamento da escolha por um aliado, sem o prévio conhecimento do DEM, foi considerado pelos democratas uma trapalhada muito grande dos tucanos. Ainda mais porque Maia havia enviado um e-mail ao presidente do PSDB perguntando sobre a vaga de vice-presidente e não obteve nenhuma resposta. Com a confusão, Maia acabou ganhando a adesão de todo o partido na defesa da tese de que o DEM tem de ocupar a posição de vice de Serra.

"Rodrigo Maia tem o apoio de 100% da bancada federal. O DEM fala unido pela voz de seu presidente", escreveu em seu twitter o líder do DEM na Câmara, Paulo Bornhausen (SC). "Seria muita falta de respeito o PSDB ter a petulância de não indicar o vice do DEM. Isso é uma afronta ao seu maior apoio", emendou o deputado Ronaldo Caiado (DEM-GO) também no twitter. "Se o PSDB não zerar o jogo, tem grandes chances de perder o nosso apoio dia 30 na convenção nacional", ameaçou Caiado. "Tenho conversado com lideranças dos democratas. Cresce o sentimento para decidirmos pelo fim da aliança com o PSDB na convenção", disse o deputado Efraim Filho (DEM-PB).

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