PSB reúne-se hoje e fala em pedir quatro ministérios a Dilma

Partido reúne-se nesta quinta em Brasília para debater seu futuro e desenhar a fatura que vai apresentar à presidenta eleita

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

Após conquistar seis Estados nas eleições deste ano, o Partido Socialista Brasileiro (PSB) reúne-se nesta quinta-feira em Brasília, com todos os representantes eleitos em 2010, para discutir seu futuro e montar a fatura de cargos e ministérios que pretende apresentar à presidenta eleita Dilma Rousseff .

Ocupando dois ministérios desde o início da era Lula, o PSB deve investir no discurso de que a atual estrutura concedida ao partido não comporta o tamanho que a sigla adquiriu após o fechamento das urnas. Liderado por nomes como Eduardo Campos e o Cid Gomes, reeleitos com aprovação recorde aos governos de Pernambuco e do Ceará, o partido deve pedir pelos menos mais dois ministérios para Dilma.

A reunião entre os integrantes do PSB foi marcada para as 09h30, no Hotel Carlton, em Brasília. Nesta quarta, Eduardo Campos já se reuniu com o presidente do PT, José Eduardo Dutra, membro da equipe de transição de Dilma, para iniciar a tratativa e os acordos para a composição dos ministérios.

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Dilma Rousseff se despede dos integrantes da cúpula do PSB, em evento em Brasília logo após o primeiro Turno. Cid Gomes, Ciro Gomes e Eduardo Campos querem novas pastas
A ideia dos socialistas é manter as pastas da Ciência e Tecnologia e dos Portos e negociar outros dois ministérios: Integração Nacional e Cidades. Segundo integrantes do partido, a proposta deve ser apresentada na reunião desta quinta, onde também será discutida a possibilidade de negociar o ministério da Educação e a presidência do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

Ciente de que deve encontrar resistência entre os partidos aliados para conseguir a pasta das Cidades e da Ciência e Tecnologia, a sigla deve apresentar essas duas opções para a equipe de transição como forma de compensação. O partido fala em ganhar ministérios mais robustos e de maior capilaridade. Na impossibilidade de alcançarem quatro ministérios, a legenda quer ao menos três pastas e o comando de uma estatal de peso dentro do governo.

Indicações

O PSB reivindica a incorporação de outros dois nomes do partido à equipe de transição de Dilma: o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e o vereador e deputado eleito Gabriel Chalita (PSB-SP). Apesar dos desentendimentos entre Ciro e o presidente Lula no início da formação das chapas que concorreram à Presidência e de suas críticas ao PMDB, o PSB avalia que Ciro fez um mea culpa e empenhou-se pela campanha da petista no segundo turno, sendo incorporado, inclusive, à coordenação da campanha na reta final.

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O vereador paulistano Gabriel Chalita (PSB) preside reunião de Dilma Rousseff com religiosos no 1° turno. Proximidade com Dilma pode levar Chalita para algum ministério
Segundo deputado mais votado em São Paulo, com mais de 560 mil votos, Chalita conta com o fato de ter sido um dos interlocutores da campanha petista com setores da Igreja diante na auge da crise que envolveu a distribuição de panfletos apócrifos que tentavam colar em Dilma uma posição favorável ao aborto. “Existe uma tendência de crescimento do PSB dentro do governo. O partido adquiriu importância muito grande nessas eleições", disse Chalita, minimizando a demanda do partido por mais ministérios. "Particularmente, não gosto dessa exigência por ministérios. A grande exigência do partido tem que ser de projetos”, completou.

Candidato derrotado ao governo paulista pelo PSB nestas eleições, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, também investiu na tese de que a disposição de Dilma em dar mais espaço ao PSB foi manifestada pela própria presidenta eleita e não é uma demanda do PSB. “Exigência ninguém faz. Mas a presidente eleita já manifestou publicamente que vai conversar com os partidos aliados para compor um governo de união e vamos sentar para conversar”, afirmou Skaf.

Conforme o iG adiantou, nos bastidores do PSB também já se fala em acomodar o senador eleito Antonio Valadares (Sergipe) em algum ministério para que a vaga dele no Senado sobre para o atual presidente do PT, José Eduardo Dutra. Em entrevista ao iG , Dutra admitiu a vontade de ir para o Senado, mas disse que a operação não depende dele.

Bloco

Dono de uma bancada de 34 deputados federais e três senadores, o PSB também acolocará em pauta na reunião de hoje a formação de um bloco com o PDT e o PCdoB, na tentativa de ganhar mais força dentro da base aliada para reivindicar ministérios.

Os três partidos querem fazer frente ao PMDB e ao PP, que não querem abrir mão de ministérios importantes que já estão na mão deles, como Integração Nacional e Cidades. Essas pastas interessam a todos os partidos em virtude do volume de recursos para obras que devem receber no governo de Dilma Rousseff.

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