Presidente do partido acredita que retorno da contribuição pode ajudar Estados e municípios no custeio com a área de saúde

O governador reeleito de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, defendeu hoje a volta da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Segundo ele, existe atualmente um subfinanciamento na ordem de R$ 51 bilhões ao ano na área da saúde.

“O subfinanciamento da saúde é a grande questão nas contas dos municípios e Estados. Tem município fechando serviços públicos porque não consegue pagar. Se precisar restaurar, em parte ou totalmente a CPMF, vamos fazer isso porque não vi baixar o preço de nada depois do fim da CPMF”, afirmou Campos durante reunião com lideranças do partido, em Brasília.

Segundo cálculos do governo federal, o fim da CPMF tirou R$ 40 bilhões anuais da área da saúde. A presidenta eleita Dilma Rousseff já anunciou que a primeira medida que deve tomar após ser empossada será reunir governadores eleitos para tratar de questões de saúde e segurança pública.

No encontro com lideranças nacionais do PSB para discutir os rumos do partido no governo Dilma, Campos se negou a dizer quantos e quais ministérios a legenda vai pedir à presidenta eleita.

Cid Gomes, Renato Casagrande e Eduardo Campos
Agência Estado
Cid Gomes, Renato Casagrande e Eduardo Campos
De acordo com ele, Dilma "conhece muito bem" o funcionamento do governo e já deve ter em mente quais os quadros que quer para os devidos ministérios, e o partido não pode pedir ministérios. “Temos que ajudar a fazer uma boa equipe. Ela sabe da qualidade do PSB. O PSB tem a solução. Não vamos criar problemas.”

O governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse que vai "esperar uma reunião dos governadores com a presidenta eleita" para decidir sobre a volta do "imposto do cheque", como ficou conhecida a CPMF. "Se isso for feito (a volta da CPMF), tem que ser feito dentro da reforma tributária", afirmou. Segundo Casagrande, não é uma questão de dizer se é a favor ou contra. "Mas o fato é que a saúde precisa de mais dinheiro", completou.

Em sua primeira entrevista coletiva depois das eleições, Dilma disse ontem que vai se reunir com os governadores eleitos para discutir o tema.

Já o governador reeleito do Ceará, Cid Gomes (PSB), defendeu a implantação da Contribuição Social para Saúde (CSS), que já passou pelo Senado e precisa ser aprovada pela Câmara. “Eu defendo que seja implantada a CSS já, agora, antes da posse da presidenta Dilma”, disse ele.

No entanto, Cid Gomes enfatiza que a contribuição seja vinculada ao repasse automático aos Estados e municípios. “O que não pode é o dinheiro ficar nas mãos da união, e os Estados e os municípios fiquem com o pires na mão”.

Segundo ele, houve privilégios estabelecidos antes do governo Lula com relação à CPMF. Ele diz que em São Paulo, por exemplo, o repasse per capita era uma vez e meia maior do que o do Ceará. “Em São Paulo, 50% da população depende do SUS (Sistema Único de Saúde). Os outros 50% têm plano de saúde. Já no Ceará, 90% dependem do SUS, menos de 10% têm plano de saúde.”

O governador eleito da Paraiba, Ricardo Coutinho (PSB), também defendeu a CPMF como mecanismo para financiar a saúde, mas ressalvou que a discussão ainda precisa ser feita entre a sociedade e o Congresso. "Alguém precisa financiar" admite. Sobre espaço do PSB no governo Dilma, ele avaliou como legitima a maior participação mas evitou dizer quais ministérios seriam alvo de cobiça. "Vamos deixar para a Executiva", afirmou.

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