Promotoria considera 'lamentável' postura de Lula na campanha

Edson Resende afirma que não é papel do presidente da República fazer seu sucessor

Eduardo Ferrari, |

O coordenador do Centro de Apoio Operacional Eleitoral do Ministério Público de Minas Gerais, promotor Edson Resende, afirmou nesta quinta-feira (28) que a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em comícios, programas eleitorais e em atos políticos, apesar de não ser ilegal, gera dúvidas éticas e morais junto aos eleitores.

“Nada impede Lula de fazer campanha para quem quer que seja, mas há uma distinção entre cabo eleitoral e apoio. A presença de Lula é muito forte na campanha de Dilma. Ele, como presidente, não poderia se envolver tanto assim, tendo em vista que é representante de uma nação. Entretanto, todo mundo sabe que a sua preferência é pela candidata do PT e sua postura está mais para um cabo eleitoral. Eu acho esse tipo de postura lamentável", afirma.

As declarações de Resende, que coordena os 351 promotores eleitorais do Estado, foram dadas durante o início do transporte das cinco mil urnas eletrônicas que serão utilizadas em Belo Horizonte durante a votação de 31 de outubro. Belo Horizonte é maior colégio do Estado com 1,8 milhões de eleitores e 435 locais de votação com 4.198 seções. No total, no estado, serão mais de 51 mil, sendo 45.693 no interior. Em Minas Gerais, cerca de 188 mil mesários atuarão nas 43.851 seções eleitorais. O transporte de todas as urnas prossegue até a madrugada de sábado (30).

Resende lembrou de uma sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) onde o ministro (STF) Carlos Ayres Britto debateu sobre as inúmeras multas que Lula tinha recebido antes das eleições. “Ele (o ministro) soltou essa frase 'Não constitui ao cargo de presidente da República fazer o seu sucessor', então eu acho que o presidente não deveria se envolver tanto assim numa eleição".

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