Preterido em 2008, Alckmin abre porta para aproximação de Serra

Com o fortalecimento de Dilma, time do candidato ao governo paulista vê chance de recuperar prestígio dentro do partido

Clarissa Oliveira e Piero Locatelli, iG São Paulo |

Em janeiro de 2009, quando o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) ainda se recuperava da derrota nas urnas da eleição municipal de 2008, seus aliados mais próximos ensaiavam o discurso sobre como sua força nas pesquisas seria a chave para viabilizar uma candidatura ao governo de São Paulo em 2010. Na época, Alckmin acabava de aceitar um posto no secretariado do hoje presidenciável José Serra (PSDB) na administração paulista. Serristas, entretanto, eram taxativos em dizer que ele havia enterrado suas chances de voltar a comandar o Palácio dos Bandeirantes quando resistiu em apoiar a reeleição do prefeito Gilberto Kassab (DEM). A vaga, diziam, pertencia ao então secretário da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira.

AE/MONICA ALVES
Antes em lados opostos, Alckmin e Serra intensificaram agenda conjunta nas últimas semanas
Um ano e meio depois, Alckmin tem orientado seus aliados a não criarem obstáculos para a aproximação com Serra. Favorito nas pesquisas para a corrida estadual, com mais de 50% das intenções de voto, ele vinha evitando a exposição excessiva e o confronto com o PT nesta etapa da campanha. Mas decidiu abrir exceções para circular em público ao lado do presidenciável.

O entendimento que predomina na campanha estadual tucana é de que a aproximação com Serra pode render bons frutos a Alckmin mais adiante na disputa e mesmo depois do pleito, quando as forças internas do PSDB forem reorganizadas de acordo com o resultado da eleição. Ganha peso no partido a tese de que Alckmin se transformou em peça-chave para estancar o crescimento da candidata petista ao Palácio do Planalto, Dilma Rousseff.

Já que Dilma avança em ritmo acelerado no Nordeste, tradicional reduto eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a orientação no PSDB é voltar as atenções para o Sudeste do País, onde a sigla assiste a um estreitamento de sua vantagem sobre o PT. Na última pesquisa CNI/Ibope, Dilma ganhou a dianteira pela primeira vez, alcançando 40% das intenções de voto contra 35% de Serra. No Sudeste, os dois apareceram tecnicamente empatados, ela com 36% e ele com 35%. "Já ficou claro que não adianta mais perder tempo no Nordeste. Se Serra não ganhar em São Paulo não ganha a eleição", explica um tucano.

Desde a divulgação dos dados da CNI/Ibope, Serra passou a acompanhar Alckmin em compromissos públicos com mais frequência, a começar por uma caminhada em Guarulhos no mesmo dia em que os números do levantamento foram publicados.

Em alguns casos, como no jogo entre Brasil e Chile pela Copa do Mundo, na última segunda-feira, a confirmação da presença de Serra só chegou na última hora. Palmeirense, o presidenciável foi até Santos e acompanhou a partida na Vila Belmiro, cercado por santistas. Alckmin foi homenageado pelo clube, que lhe deu uma carteirinha de sócio honorário. 

Processo

Mesmo ostentando mais de 50% das intenções de voto para o governo de São Paulo, a indicação para que Alckmin concorresse ao Palácio dos Bandeirantes só ocorreu na última hora. A decisão final sobre quem seria o candidato do PSDB para a vaga saiu de uma reunião ocorrida na casa do ex-secretário Andrea Matarazzo.

Na lista de participantes, estavam outros membros do primeiro time de Serra, como Aloysio, Kassab e o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM). Aliados de Alckmin atribuem a escolha em boa parte à ação do presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), hoje coordenador da campanha presidencial tucana. Coube a ele a tarefa de convencer Serra a alocar Aloysio na disputa para o Senado e abrir espaço para o lançamento de Alckmin para o governo.

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