PR do Rio decide amanhã quem apoia no segundo turno

Deputado federal mais votado, ex-governador Garotinho reclamou da falta de empenho de Dilma na campanha do partido no estado

Manuela Andreoni, iG Rio de Janeiro |

Em reunião no Centro do Rio nesta tarde de quinta-feira (14), coordenada pelo ex-governador Anthony Garotinho, o PR do Rio adiou a decisão sobre qual candidato à Presidência apóia no segundo turno para amanhã, em um novo encontro, às 15h. Participaram oito deputados estaduais e oito federais eleitos, além de membros da executiva regional. A reunião foi interrompida duas vezes por ligações do presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, e do DEM, Rodrigo Maia.

De acordo com Garotinho, deputado federal mais votado do Estado (694.862 votos), foi decidido que o partido não permanecerá neutro, mas não aceitará que seu apoio seja “clandestino” ou “envergonhado”. A maior queixa do PR, que apóia nacionalmente o PT, foi a falta de empenho da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, à campanha do partido no Estado.

“Eu sou aliado ou não sou aliado? Eu não quero apoio envergonhado. Nós apoiamos, ou não apoiamos”, disse Garotinho.

Ele reclama que, mesmo no segundo turno, a candidata ainda não marcou agenda com o PR. Dutra, no entanto, disse que Dilma ligaria para o deputado eleito o mais rápido possível para agendar um evento no Rio em que os dois estariam juntos.

“Toda vez que (Dilma) vem no Rio, faz agenda com o governador Sérgio Cabral e não convida o PR para participar. O partido entende que, após as eleições, merece um apoio igual ao do PMDB, porque fez o mesmo número de deputados federais, elegeu nove deputados estaduais. E temos um candidato a governador que fez quase 11% dos votos em sua primeira eleição”, defendeu o deputado federal eleito.

Garotinho minimizou a carta discutida pela campanha de Dilma em que a candidata garantiria ser contra o aborto e o casamento homossexual.

“Nós esperávamos uma resposta mais adequada do que essa que foi dada em relação a esses temas que foram dados aí. O PNDH3 não envolve só essas questões, envolve outras questões de outra natureza: em relação às liberdades individuais, à liberdade de imprensa, à questão da propriedade privada”, afirmou.

PR apresenta “compromissos fundamentais”

Na reunião de amanhã, o apoio será votado por deputados estaduais e federais e representantes dos diretórios municipais e zonais – um total de 250 pessoas. Serão apresentados seis “compromissos fundamentais” que o candidato escolhido deve ter com o PR. Os principais deles são a manutenção dos critérios de distribuição dos royalties e participação especial do Rio no pré-sal e no pós-sal, e a revogação e revisão do PNDH3.

Também são exigências a não privatização de Petrobrás, Eletrobrás, Caixa Econômica, Banco do Brasil e BNDES. A implantação de projetos essenciais no estado, como o restaurante popular (projeto do governo Garotinho), é outro ponto. O PR também colocou como prioridade o apoio à PEC 300 – que institui o piso salarial para policiais e bombeiros –, a despolitização das instituições policiais e a implantação do horário integral nas escolas.

Garotinho afirma que não está discutindo cargos

O ex-governador garantiu que suas conversas com membros do PT, PSDB e DEM não passaram por discussão de cargos. Para ele, o importante é que seu partido seja tratado como liderança estadual.

“Eu não quis ser ministro do Lula, no primeiro mandato. Não quer dizer que eu não vá ser, ou que eu queira ser”, disse Garotinho. “Nós somos uma força política que cresceu, enquanto o PMDB diminuiu. A verdade é que o PMDB perdeu a eleição para o Senado, elegeu o mesmo número de deputados federais que nós elegemos, com toda a máquina, com apoio federal, com todos os prefeitos. Então, acho que nós merecemos um tratamento adequado”, completou.

O ex-governador conversou com Dilma, Dutra e outras lideranças do PT durante a última semana. Ontem, falou com o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, e o ex-governador tucano Marcello Alencar. Diferentemente do PT, os tucanos ainda não teriam pedido apoio explicitamente ao PR do Rio. 

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