PPS-RJ nega vaga a tucanos

Partido não aceita ceder candidatura ao Senado para o PSDB. "Pessoas não são descartáveis", diz presidente regional da legenda

Flávia Salme, especial para o iG Rio de Janeiro |

O advogado Marcelo Cerqueira (PPS), pré-candidato do PPS-RJ ao Senado, decidiu que não vai abrir mão de sua candidatura para atender à executiva nacional do PSDB. O presidente do partido tucano, Sérgio Guerra, confirmou na tarde desta quinta-feira que a legenda quer voltar atrás do acordo que resultou na coligação PV-PSDB-DEM-PPS para lançar o deputado federal Fernando Gabeira (PV) ao governo do Rio de Janeiro. Segundo ele, o objetivo é garantir mais tempo de TV ao presidenciável José Serra (PSDB).

À noite, o presidente do PPS-RJ, deputado estadual Comte Bittencourt, afirmou que Cerqueira é o segundo candidato da coligação ao Senado ( o primeiro é o ex-prefeito do Rio Cesar Maia, do DEM ). "O PPS vai  manter a candidatura do Marcelo Cerqueira, não tem discussão", garantiu.

A decisão pode abalar a coligação em torno da campanha de Gabeira, que tem o tucano Márcio Fortes como vice. “Nós não nos conformamos de mudar nossa posição. Queremos conseguir com o PPS consentimento para retirar o nome do Marcelo Cerqueira e colocar um outro nome que assegure a nós o tempo de televisão que podemos perder”, contou um líder tucano ao iG.

Segundo ele, a decisão de alterar o acordo no Rio de Janeiro partiu de São Paulo. “Nós ficamos numa posição diferente e injusta ( nesse acordo ) porque os nomes que dão a sigla 45 desapareceram da coligação”, explicou. "Isso gerou, a partir lá de São Paulo, uma reivindicação de que a gente troque o candidato ao Senado, que é uma maneira de voltar a ter tempo de televisão para o Serra”, explicou.

Cesar Maia: “O DEM está com o PPS”

O ex-prefeito Cesar Maia admitiu que já sabia da intenção do PSDB de retirar a segunda vaga ao Senado do PPS. A reunião que tratou da questão foi realizada no Rio. Diante do problema, Cesar garantiu que ficará ao lado de Cerqueira.

“O que o DEM disse a eles ( tucanos ) é que qualquer decisão que tome o PPS, estaremos com o PPS”, assegurou.

Ao longo do dia, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire (PE), classificou a proposta de “esquisita”. Após dizer que a aliança entre as legendas resultou de uma “engenharia trabalhosa”, contou que a decisão caberia à direção do partido no Rio. “Essa proposta parece coisa de marqueteiro”, opinou.

Antes de saber da decisão de Cerqueira, o presidente do PPS-RJ, que está fora da capital fluminense, afirmara que o PSDB precisava cumprir o acordo que permitiu a coligação. “É preciso respeitar o processo, as pessoas não são descartáveis, isso faz parte de uma conduta ética”, falou.

Um integrante da executiva regional popular-socialista contou ao iG que a candidatura de Marcelo Cerqueira ao Senado foi acordada com o presidenciável tucano. “O partido não pediu essa vaga, ela foi acertada a pedido do próprio Serra” contou. “A candidatura dele foi proposta para garantir um palanque mais à esquerda para o Serra no Rio, já que o Cesar Maia tem um perfil mais de centro”.

Gabeira garantido

Apesar das divergências, líderes do PSDB afirmam que a reivindicação feita ao PPS não põe em risco o apoio a Fernando Gabeira para o governo do Rio de Janeiro. A tentativa tucana de alterar o acordo entre as legendas acontece às vésperas da convenção para oficialiar a aliança entre os partidos, marcada para este sábado (19) na cidade de Niterói, na Região Metropolitana.

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