Cientista político aponta que curva de crescimento do pedetista coincide com alta de Dilma Rousseff (PT) no Paraná

Embora a pesquisa Vox Populi/Band/ iG aponte a liderança do candidato do PSDB, Beto Richa, na corrida pelo governo do Paraná, a distância de apenas 5 pontos para o candidato Osmar Dias (PDT) é motivo de alerta para os tucanos, segundo especialistas ouvidos pelo iG .

Além de contar com o apoio incondicional do presidente Lula, que negociou pessoalmente a candidatura do PDT no Estado, o apoio ex-governador Roberto Requião (PMDB) é considerado estratégico para Osmar Dias, segundo os analistas. Requião governou o Paraná por oito anos e deixou o cargo no início do ano para concorrer a uma vaga ao Senado na chapa encabeçada por Dias.

Os dois se enfrentaram na última eleição para o governo estadual e Requião saiu vitorioso do pleito com uma diferença de apenas dez mil votos. “Embora Requião esteja preocupado com a própria eleição ao Senado, Richa tem pela frente uma dobradinha forte que pode ser potencializada pela propaganda de TV a partir de 17 de agosto”, diz o cientista político Rubens Figueiredo, diretor do Cepac (Centro de Pesquisa em Comunicação) de São Paulo.

Na opinião de Figueiredo, o fato de Requião ter ocupado a cadeira de governador nos últimos dois mandatos ajudou a dar visibilidade para sua chapa. “Embora a transferência de votos ainda seja difícil de ser comprovada até agora, ela costuma ser mais eficaz quando diz respeito diretamente de governador para governador, ou de prefeito para prefeito”, analisa o cientista político.

As alianças feitas por Osmar Dias significam que o candidato poderá contar com a ajuda do bom momento da economia e da valorização dos salários, já que o pedetista integra a chapa considerada “governista”, diz o professor Ricardo Oliveira, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). De acordo com ele, a eleição paranaense está intimamente ligada à situação do País há vários anos: “As curvas de crescimento de Dias coincidem com a evolução da presidenciável do PT, Dilma Rousseff. Assim como Richa, Serra já esteve muito mais distante de Dilma no Paraná. Os dois cenários mostram que a eleição plebiscitária traçada para a corrida presidencial tem se refletido do Estado”, lembra Oliveira.

A Vox Populi/Band/ iG divulgada nesta quarta-feira mostra que Serra está oito pontos à frente de Dilma Rousseff no Estado. No início do ano essa diferença chegava a 30%. Considerando a margem de erro da pesquisa, que é de 3,5%, Dilma tem quase os mesmo índices de intenção de voto que Osmar Dias, candidata ao governador. “A eleição paranaense caminha para um plebiscito entre prós e contras ao projeto que o governo federal desempenhou nesses oito anos”, analisa o professor da UFPR.

Mesmo com o cenário de alianças desfavoráveis, os analistas são unânimes em afirmar que as chances do Beto Richa se concentram em sua popularidade como prefeito de Curitiba e sua imagem de político jovem e competente. “A atuação dele na prefeitura foi muito positiva e aceita pelo eleitorado. Sua vitória no 1° turno das eleições de Curitiba mostra que ele é um político forte e popular na capital e na região metropolitana”, diz Oliveira.

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