José Fogaça é reeleito prefeito de Porto Alegre

26/10 - 19:23, atualizada às 22:54 26/10

Redação

PORTO ALEGRE - O atual prefeito e candidado José Fogaça, do PMDB, venceu a disputa contra a petista Maria do Rosário e fica na prefeitura da capital gaúcha por mais quatro anos. Fogaça teve 58,95% dos votos válidos, contra 41,05% da candidata oponente. A eleição no 2º turno em Porto Alegre ainda registrou 2,94% de votos brancos, 3,58% de nulos e 17,78% abstenções.


Antes mesmo da totalidade de urnas serem apuradas, a militância de José Fogaça já tomava conta das ruas Porto Alegre em comemoração à reeleição do atual prefeito. As primeiras palavras como prefeito reeleito foram de agradecimento à camada mais pobre da população – justamente onde sempre teve seu pior desempenho.

"Quero agradecer aqueles cidadãos e cidadãs lá das nossas ruas, das casas modestas e dignas desta cidade", disse Fogaça, em seu comitê de campanha, assim que foi confirmada sua vitória.

Fogaça ainda agradeceu reiteradas vezes os partidos que deram sustentação à sua candidatura. "A decisão do PDT permitiu ao PMDB maior solidez, maior convicção e maior segurança para a sustentação do projeto. Isso depois se consolidou definitivamente quando o Partido Trabalhista Brasileiro decidiu unir-se a nós para constituir, pela primeira vez na história da cidade, uma aliança que recupera historicamente uma das mais profundas e mais enraizadas vertentes políticas desta cidade", afirmou, numa referência ao trabalhismo.

No segundo turno, Fogaça também levou para o seu lado PPS, PP, DEM, PMN e PSDB. "Não fizemos exigências, não fizemos imposições", afirmou. "Um projeto que não tem apoio de partidos é um projeto que não tem sustentação e, portanto, não deve continuar", completou.

Embora o PT tenha se mantido à frente da administração municipal por 16 anos, Fogaça é o primeiro prefeito reeleito da história da cidade.

Em coletiva concedida na sede do Comitê Central da Campanha, logo após a confirmação da derrota, Maria do Rosário agradeceu. "Muito obrigada Porto Alegre. O nosso projeto está vivo". A candidata ainda desejou boa sorte à gestão do prefeito José Fogaça. A petista também agradeceu a todos os apoiadores, militantes, companheiros, companheiras, que compuseram a Frente Popular e os que se agregaram no 2º turno.  

Dirigindo-se aos militantes, reafirmou que a luta por um mundo melhor está viva e pediu a cada um que nunca perca o olhar de esperança. E para os antipetistas, sugeriu que revisem seus conceitos.   

Arte/US

Quem é José Fogaça?
Bacharel em Direito, radialista, poeta, compositor, professor. José Fogaça, 61 anos, reeleito prefeito de Porto Alegre, teve tantas ocupações na vida quanto cargos. Desde que começou sua careira política em 1978, quando foi eleito deputado estadual no Rio Grande do Sul pelo então MDB, atual PMDB, foi deputado federal, senador e prefeito, além de disputar eleições quase todos os anos.

Em 1985, Fogaça foi candidato a vice-prefeito de Porto Alegre na chapa de Carrion Jr, mas perdeu a eleição para Alceu Collares (PDT). Em 1986, disputou pela primeira vez uma eleição para senador da República e conseguiu ser eleito. Em 1990 ele se afastou do cargo para concorrer ao governo do Estado do Rio Grande do Sul, ficou apenas na terceira posição e reassumiu seu cargo de senador. Nas eleições de 1994, ele obteve votação suficiente para permanecer nesta função até 2002. Vale lembrar que, diferentemente dos demais cargos eletivos, o mandato de senador tem duração de oito anos.

Em 2001, Fogaça entrou em confronto com Pedro Simon, liderança do PMDB, e, junto com Antônio Britto, trocou de partido e foi para o PPS. Por esta sigla, ele tentou seu terceiro mandato de senador em 2001, mas não obteve resultado positivo. Em 2004, ainda no PPS, foi candidato à Prefeitura de Porto Alegre e saiu vitorioso das urnas, derrotando Raul Pont e pondo fim à seqüência de 16 anos de gestão petista na cidade.

Como deputado federal, Fogaça acompanhou o processo de redemocratização brasileira e foi um dos coordenadores da campanha pelas Diretas Já.  Como senador, foi relator-adjunto da Assembléia Nacional Constituinte, que elaborou e aprovou o texto da Constituição Federal de 1988.

Arte/US

Campanha no 1º turno
Em março de 2007, o PPS anunciou Fogaça como candidato à reeleição na capital para as eleições de 2008. Porém, em setembro do mesmo ano, o prefeito abandonou o PPS e voltou ao PMDB.

No 1º turno, Fogaça foi alvo de ataques vindos de todos os candidatos. Ele pediu afastamento da prefeitura no início do mês de setembro para se dedicar à campanha de reeleição. 

Uma das maiores reclamações dos demais candidatos era a o ritmo supostamente lento de sua administração para lidar com os problemas da cidade. No entanto, a disputa pelo segundo lugar entre Manuela D’Ávila (PCdoB) e Maria do Rosário (PT) e as pesquisas de opinião que desde o início o mostravam na primeira posição amorteceram a voracidade das críticas.

José Fogaça, que nas pesquisas eleitorais do 1º turno não ultrapassava os 36% de intenções de voto, teve melhor desempenho nas urnas e obteve 43,85% dos votos, uma vantagem maior do que a prevista em relação à segunda candidata, Maria do Rosário, que conseguiu 22,73% dos votos válidos.

O 2º turno
Terminada a apuração, tanto Maria do Rosário quanto José Fogaça já traçavam estratégias para conseguir os importantes votos de Manuela D’Ávila, que terminou a votação com 15,35% dos votos dos eleitores.

A aliança de Manuela ficou dividida no 2º turno das eleições. Seu partido, o PC do B, apoiou a petista. Manuela declarou voto em Maria do Rosário, mas evitou subir em palanques. O PPS, partido do candidato a vice-prefeito em sua chapa, no entanto, optou por apoiar Fogaça.

Fogaça durante sua votação no 2º turno das eleições em Porto Alegre

Além do PPS, a coligação “Cidade melhor, futuro melhor” (PMDB, PDT, PTB e PSDC), que apoia Fogaça, conseguiu atrair o PP, o DEM, o PSDB e o PMN no 2º turno. Apoiaram Maria do Rosário o PCdoB, o PSC, PTdoB e o PR, além dos partidos que já compunham a coligação Frente Popular (PT, PRB, PTC, PSL). O partido de Luciana Genro, o PSol, assim como o PSB, que fazia parte da coligação de Manuela, optaram pela neutralidade no 2º turno,

Os debates foram freqüentes na capital gaúcha. Ainda no 1º turno, a candidata petista já disparava críticas ferrenhas contra Fogaça, dizendo que ele não tinha iniciativa e agilidade. Na defesa, o prefeito afirmou que ele não fez grandes obras porque tinha de pagar as dívidas deixadas pelos 16 anos de governo do PT na capital gaúcha.

Os rumores de que o atual prefeito abandonaria a prefeitura em 2010 para se candidatar novamente a uma vaga de senador também foram motivos de troca de farpas entre Fogaça e Maria do Rosário. Ele, no entanto, disse que cumprirá integralmente o compromisso que assumiu, pois afirmou considerar a atividade de prefeito mais importante que a de senador.

No 2º turno, oito debates entre os candidatos intensificaram os ataques de um contra o outro. Para fazer as atividades de campanha e para se preparar para essa grande quantidade de enfrentamentos diretos, Fogaça novamente se licenciou da Prefeitura de Porto Alegre no dia 9 de outubro, e deve voltar ao cargo já nesta segunda-feira, dia 27.

Além das críticas que já estavam sendo feitas a ele, o apoio do PSDB – da governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius – também deu munição aos adversários devido aos escândalos envolvendo a compra de imóveis pela tucana. Em outros momentos, Maria do Rosário o chamou de “rei da demora, da incompetência e do desrespeito à cidade”, em relação à suposta falta de investimento municipal no transporte da cidade.

A Adversária
Professora do ensino fundamental, Maria do Rosário (PT) sempre esteve envolvida em projetos e ações sociais focados em crianças e adolescentes. Formada em pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), fez pós-graduação em violência doméstica pelo Laboratório de Estudo da Criança, da Universidade de São Paulo.

Entrou para a política como vereadora de Porto Alegre, em 1993, eleita pelo PCdoB, partido da sua maior rival no 1º turno das eleições, Manuela D’Ávila. Em 1996 ela foi eleita novamente, dessa vez pelo PT, mas saiu do cargo em 1998, quando conseguiu se eleger deputada estadual.  Nas eleições de 2002 ela se tornou deputada federal e, em 2006, foi novamente eleita para este cargo no Poder Legislativo.

Em 2004, Maria do Rosário foi candidata a vice-prefeita de Porto Alegre na chapa do também petista Raul Pont, mas perdeu as eleições para José Fogaça. Com a derrota de hoje, a petista reassume seu cargo de deputada federal até 2010.

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Agência Brasil

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