Por votos, Serra e Dilma buscam alianças incômodas

Os dois principais pré-candidatos têm um ponto em comum: as alianças nacionais e regionais "envergonhadas", porém necessárias

iG São Paulo |

A cerca de quatro meses das eleições, os dois principais pré-candidatos à Presidência, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), têm um ponto em comum: as alianças nacionais e regionais "envergonhadas". São aqueles apoios constrangedores, mas necessários para a caminhada eleitoral. 

Dilma já distribuiu afagos ao ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho, pré-candidato do PR ao governo. Parte do PT não gostou e outra respaldou. Garotinho e sua mulher, a ex-governadora Rosinha Matheus, são investigados por suposto envolvimento em corrupção, como o uso de ONGs para desvio de dinheiro público, entre outras suspeitas. 

Na quinta-feira, o casal foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Rio por abuso do poder econômico e uso indevido de meio de comunicação nas eleições de 2008. Se a decisão for confirmada, eles ficarão inelegíveis até 2011. Mesmo assim, Dilma quer os votos de Garotinho, embora caminhe para um apoio oficial à reeleição de Sérgio Cabral (PMDB). 

Do Rio surge outro apoio incômodo, mas importante para José Serra: o do deputado cassado Roberto Jefferson, presidente do PTB. Ele denunciou o mensalão do PT, em 2005, e acabou sendo cassado por envolvimento no escândalo de distribuição de propinas. Agora, declarou apoio a Serra. Esteve no lançamento de sua pré-candidatura em Brasília. 

Fronteira

"É ingenuidade imaginar que só se trabalha com pessoas de bem na política. A questão é saber o limite dessas companhias", avalia o deputado tucano Gustavo Fruet (PR). 

Seu colega de Câmara, Flávio Dino (PC do B-MA), aliado de Dilma, diz que é preciso estabelecer, de alguma maneira, o limite. "Não se pode imaginar critérios normativos para os políticos. O importante é ter noção de fronteira. A fronteira, no meu caso, é saber o programa do candidato." Pré-candidato ao governo do Maranhão, Dino é adversário dos Sarney. Mas sabe que corre o risco de subir com eles no palanque de Dilma. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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