Por aliança com DEM, PMDB-SC promete briga na Justiça

Presidente do PMDB de Santa Catarina e cotado como vice na chapa de Raimundo Colombo (DEM), Eduardo Pinheiro Moreira falou ao iG

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Termina nesta quinta-feira o prazo dado pelo PMDB nacional ao diretório do partido em Santa Catarina para acabar com a coligação com o DEM e o PSDB. O objetivo da cúpula peemedebista é implodir o palanque catarinense de José Serra, candidato tucano a presidente, e obrigar o PMDB local a apoiar a ex-ministra Dilma Rousseff (PT).

Presidente do PMDB de Santa Catarina, Eduardo Pinho Moreira disse ao iG que pretende brigar na Justiça pela aliança. Até o fim da semana passada, ele mantinha a disposição de disputar o governo. No domingo, após 16 horas de negociações, decidiu abrir mão da candidatura para apoiar Raimundo Colombo (DEM) _que tem acordo com o PSDB também.

A decisão irritou a Executiva Nacional do PMDB. Na terça-feira, o primeiro vice-presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp (RR), deu um ultimato a deputados catarinenses: ou se rompe o acordo com DEM e PSDB ou haverá intervenção do partido. Pinho Moreira, no entanto, não teme a ameaça. Leia a entrevista que ele concedeu ao iG:

iG – Como o senhor vê a possibilidade de intervenção?
Eduardo Pinho Moreira – Não vai dar em nada.

iG - Por que em São Paulo e em Pernambuco os diretórios do PMDB podem se aliar com o PSDB e o DEM e em Santa Catarina não?
Moreira – Parece que no Acre o PMDB desistiu da candidatura e está apoiando o PSDB. Em Santa Catarina, o PMDB busca parceiros. Ninguém mais ganha eleição sozinho, principalmente por conta do tempo de televisão. E eu busquei parceiros. Falei com o PT. Disse que a gente poderia apoiar a candidatura da Dilma, mas desde que tivéssemos aquilo que eles fizeram em Minas Gerais e no Maranhão [Estados onde a cúpula obrigou os diretórios do PT a apoiar candidatos ao governo do PMDB].

iG – O senhor encontrou-se com a Dilma? O que ela disse?
Moreira – Tive com ela na segunda-feira passada [7 de junho]. Ela disse que o assunto teria de passar pela candidata do PT em Santa Catarina, que é a senadora Ideli Salvatti.

iG – E o senhor não teve acordo com a Ideli?
Moreira – Exatamente. Estive sexta-feira em Brasília falando com a Ideli. Ela disse que seria candidata e que iria às últimas consequências. O PT em Santa Catarina está fechado com o PC do B, PSB, PRB e, provavelmente, com o PDT.

iG – Então não tinha espaço para o PMDB?
Moreira – Não tinha. Nós não seríamos vice nessas condições. Principalmente porque administramos o governo de Santa Catarina com o DEM e com o PSDB [o atual governador é Leonel Pavan (PSDB)].

iG – Por que, então, o presidente Michel Temer (PMDB) exige um acordo com o PT?
Moreira – Sempre levei essa situação a ele. Nunca existiu acordo formal de que eu apoiaria a candidatura do PT.

iG – Nunca houve uma deliberação da cúpula nacional do PMDB?
Moreira – Nunca. Eu fui à convenção nacional do PMDB no sábado. Santa Catarina compareceu com número expressivo, mas não houve nenhuma decisão sobre o Estado. O DEM já contava com o PSDB e o PPS. Com isso, o PMDB iria para o isolamento, por isso resolvi me unir a eles.

iG – O senhor explicou isso para o Temer?
Moreira – Eu falei com ele. Foi pedido, inclusive, que o PT deixasse que um dos partidos que o apoiam fizessem coligação conosco. O PSB, por exemplo, para aumentar nosso tempo de televisão. Com isso, num eventual segundo turno, nós apoiaríamos a Ideli.

iG – Mas o senhor não teme a intervenção?
Moreira – Eles [integrantes do PMDB nacional] perdem na Justiça. A Justiça cassa a intervenção

iG – Então o senhor pretende brigar na Justiça pela aliança com DEM e PSDB?
Moreira – Vou porque não há nenhuma justificativa plausível para a intervenção. Eles estão querendo intervir num ato pessoal meu. Eu desisti da candidatura. Qual é o problema?

iG – Mas o PMDB vai dar o tempo de TV para eles?
Moreira – Claro que vai. A convenção ainda está marcada. Como querem intervir agora. Ainda não houve convenção.

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