Polêmica sobre propaganda põe em risco palanques de Serra e Dilma

Dependendo da posição do TSE sobre o tema, tucano e petista podem ser proibidos de participar de propagandas eleitorais

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A possível manutenção da decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que impede os candidatos a presidente de participar das propagandas eleitorais nos Estados em que as alianças regionais incluem partidos adversários em nível nacional pode ter forte impacto nas campanhas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).

De acordo com um levantamento feito para consumo interno do PT, Dilma poderia participar das campanhas em apenas 19 dos 46 palanques à sua disposição (em vários Estados ela tem dois ou três candidatos a governador). Já Serra, segundo os petistas, ficaria com apenas 12 de seus 26 palanques.

Se for mantida a decisão tomada pelo plenário do TSE na sessão administrativa do dia 29, Serra ficará sem palanques nos três maiores colégios eleitorais do país. Em São Paulo, que concentra 22,4% do eleitorado, a aliança em torno de Geraldo Alckmin (PSDB) conta com o PMDB, que é aliado de Dilma em nível nacional.

Em Minas Gerais, onde estão 10,7% dos eleitores, a coligação do candidato Antônio Anastasia (PSDB) inclui o PDT e o PSB, que também integram a coligação de Dilma.

No Rio de Janeiro, que concentra 8,5% do eleitorado, a aliança que sustenta a candidatura de Fernando Gabeira (PV), cujo apoio é disputado por Serra e Marina Silva (PV), conta com o DEM, PSDB e PPS.
Dilma também ficaria sem palanque em Estados importantes como o Rio de Janeiro, onde o PTB faz parte da coligação de Sérgio Cabral Filho (PMDB). No Ceará (4,3% do eleitorado), Dilma, onde até terça-feira a petista tinha dois palanques, ficará sem nenhum. A coligação de Cid Gomes (PSB) inclui o PTB e a de Lúcio Alcântara (PR), o PPS, ambos partidos aliados de Serra.

Depois de toda a novela envolvendo a montagem dos palanques de Dilma no Maranhão (3% do eleitorado), que teve até greve de fome de petistas contrários a Roseana Sarney (PMDB), a petista corre o risco de ficar de fora da campanha. A aliança de Roseana conta com o DEM e o PTB e a de Flávio Dino (PC do B), com o PPS.

O Maranhão é um dos Estados que correm o risco de ser riscado dos roteiros dos dois principais candidatos. Outros são o Acre, Alagoas, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Roraima.

A decisão do TSE fez acender a luz amarela na campanha petista. Para o partido e seus aliados, pior do que o impacto no roteiro de Dilma seria a limitação de movimentos que a decisão pode impor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, considerado o principal cabo eleitoral das eleições deste ano. Como é filiado ao PT, Lula pode sofrer as mesmas limitações da candidata.

Nesta quinta-feira à tarde os diretórios regionais do PT receberam um e-mail da direção nacional com um alerta em letras garrafais: “Voz e imagens de Lula e Dilma não poderão ser usadas em programas eleitorais de coligações estaduais que contem com partidos que sejam adversários nacionais”.

Na última frase do e-mail um outro alerta: “Atenção na montagem final das coligações”. Segundo dirigentes do partido, isso significa que, caso a decisão de terça-feira seja mantida, o partido deve excluir de suas coligações estaduais as legendas que fazem parte da aliança de Serra.

Nesta quinta-feira o presidente do TSE, Ricardo Lewandowski, pediu vista do caso o que suspendeu a decisão até que o tribunal aprecie com mais profundidade o assunto.

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