Plínio defende estatização total da saúde no Brasil

Para o candidato do PSOL à Presidência, estatizar é a "única forma de um homem pobre ter o mesmo tratamento de um homem rico"

Agência Brasil |

O candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio Sampaio, voltou a defender nesta terça-feira a estatização de toda a rede de saúde privada. O socialista também criticou a transferência da gestão de hospitais públicos para a responsabilidade de organizações sociais, prática que, segundo ele, tem agravado a crise no setor de saúde pública.

"Não há porque privatizar hospital público. O programa do PSOL é estatizar todos os serviços de saúde, única forma de um homem pobre ter o mesmo tratamento de um homem rico. Sem isso, o rico sempre será atendido imediatamente e o pobre terá que se sujeitar à disciplina do Sistema Único de Saúde (SUS): quatro meses para marcar uma consulta, um a dois anos para uma cirurgia", afirmou o candidato ao visitar, na capital paulista, o antigo Hospital Brigadeiro (atual Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini).

 Apesar de ter gasto cerca de R$ 37 milhões para reformar e reequipar o hospital, no início do ano, o governo estadual transferiu a gestão da unidade para a responsabilidade da Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (APDM), entidade sem fins lucrativos ligada à Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

 "Isso é uma terceirização e, portanto, eu acho que ele [o hospital] deixou de ser público ao passar a ser gerenciado por uma organização social. Não vejo porque o próprio Estado não pode administrar", disse Plínio. O superintendente do hospital, Otávio Becker, contestou o candidato afirmando que "o atendimento é feito 100% por meio do SUS".

 De acordo com Becker, com o gerenciamento da organização, o atendimento ambulatorial saltou de aproximadamente 3,5 mil pacientes mensais para os atuais 9,7 mil, enquanto o número de cirurgias de 100 para 400 ao mês. Sobre a transferência da endocrinologia para o bairro de Heliópolis, motivo de crítica do candidato do PSOL, o superintendente disse que a iniciativa foi realizada em junho de 2009, antes da APDM assumir a unidade.

 "Também somos contra a mercantilização da saúde pública", afirmou Becker. "A questão é de gestão, já que as organizações sociais são muito mais ágeis se comparada à administração direta. Nossos gastos são auditados por todos os órgãos, muito mais que os da administração direta pois nós temos que prestar contas mensalmente. Além disso, trabalhamos com índices não só para medir a quantidade, mas também o nível de satisfação dos pacientes”, disse.

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