Plano de governo de Anastasia responde críticas de campanha

Tucano divulga documento com promessas de reajuste de salários de professores, recuperação de ferrovias e erradicação da pobreza

Eduardo Ferrari, iG Minas Gerais |

Passou quase sem ser notado o lançamento pelo governador e candidato à reeleição Antônio Anastasia (PSDB) do plano de governo para a gestão entre 2011 e 2014. Apenas uma nota ou outra na imprensa nacional citava o evento. A apresentação do documento aconteceu na quinta-feira (09), em Belo Horizonte, simultaneamente à uma reunião onde o tucano recebeu um manifesto de apoio dos acadêmicos de diversas universidades do estado.

Oficialmente, a coordenação da campanha de Anastasia descreve o documento de 80 páginas como “um plano de 365 propostas que visa (sic) melhorar os indicadores sociais, a qualidade de vida e a geração de emprego em todas as regiões mineiras” com a participação de 150 “profissionais e especialistas de diversas áreas”. Segundo o coordenador do projeto, Cláudio Beato, sociólogo e professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o plano foi elaborado a partir do mês de agosto deste ano. “Estamos vindo de duas administrações muito bem avaliadas, muito bem sucedidas e o grande desafio é justamente dar continuidade a isso, mas com inovação. A orientação foi basicamente tentar desenvolver coisas novas dentro de um projeto que já era bem sucedido e de continuidade”, afirma.

A leitura detalhada do documento, entretanto, demonstra que diversos itens respondem às críticas recentes que o tucano recebeu de seu principal adversário na corrida ao Palácio Tiradentes, nova sede do governo na recém-inaugurada cidade administrativa do estado. O plano afirma a implantação de “uma inovadora participação popular” por meio da criação do que chamou de “redes de desenvolvimento integrado”, compostas por representantes da sociedade civil organizada e do setor produtivo para a elaboração dos programas e ações do governo. “É do governo a responsabilidade maior, mas que é também com a participação das entidades da sociedade civil e das outras esferas de governo, fazendo um grande esforço conjunto e coordenado, para termos cada vez mais resultados melhores”, afirmou Anastasia, durante o lançamento.

Entre as propostas estão “a implantação, com reajustes anuais, de novas tabelas de remuneração dos servidores da educação, a partir de janeiro de 2011”, justamente uma das críticas mais contundentes do candidato ao governo de Minas Gerais pelo PMDB Hélio Costa, que afirma desde o início da campanha que “Minas Gerais tem um dos piores salários de professores do serviço público do país”. Em outro item, o plano de governo de Anastasia também promete “revitalizar” as ferrovias e chama Minas de “o estado logístico do Brasil”. Novamente, as ferrovias haviam sido alvo de críticas de Costa, que declarou que “pretende reestruturar a rede ferroviária em Minas Gerais”. Outro item que chama a atenção é o compromisso com a meta pelo Governo Federal, por meio do IBGE, de erradicar a pobreza absoluta em Minas Gerais até 2013. A “falta” de compromisso com os projetos sociais do governo Lula foi outro alvo recente de críticas do peemedebista contra a gestão tucana.

Hélio Costa vai lançar seu plano no dia 17 

O plano de Anastasia faz um balanço das ações realizadas pela gestão do ex-governador Aécio Neves nas primeiras 25 páginas do documento. A partir daí, transforma-se em uma “carta de intenções” onde cita possíveis ações sem detalhar como serão criadas as redes de desenvolvimento ou qual o prazo para sua execução. Segundo a coordenação da campanha de Anastasia, o documento ainda não está fechado podendo ser acessado pelo site oficial do candidato (http://www.anastasia2010.com.br/) e receber sugestões da população.

Enquanto isso, Hélio Costa ainda não divulgou qualquer documento sobre sua proposta de governo, mas a assessoria de imprensa do candidato informou à reportagem do iG que o candidato deve lançar seu programa de governo até sexta-feira (17), já na próxima semana.

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