Planfletagem com Dilma decepciona Lula

Na fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, presidente diz que queria aproximar a 'companheira Dilma' dos metalúrgicos

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A tentativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de fazer uma panfletagem como nos velhos tempos das greves do ABC ao lado da candidata Dilma Rousseff, na madrugada desta segunda-feira (23), decepcionou o próprio presidente.

Agência Estado
Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva em São Bernardo do Campos, SP
“Acontece que aqui foi feito quase que um sistema de comício e não é o que a gente quer fazer. A gente quer fazer aquela coisa normal para que a companheira Dilma fosse lá no corredor onde vocês entram e pudesse cumprimentar cada um”, reclamou Lula do alto do carro de som por volta das 5h30 na porta da fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo (SP).

A segurança presidencial com suas grades, detectores de metal, guarda-costas e restrições eliminou a naturalidade da panfletagem.

Na verdade, nem panfleto tinha. Depois de muita confusão, Lula e Dilma passaram alguns minutos pregando adesivos com o nome da candidata no peito dos funcionários da fábrica. Além disso, distribuíram autógrafos, muitos deles nas camisas dos operários, e posaram para fotos. Lula recebeu presentes e pedidos dos antigos companheiros do movimento sindical.

Na semana passada, o comando da campanha chegou a cogitar uma atividade sem a presença do presidente para que Dilma pudesse fazer uma panfletagem com mais naturalidade.

Ao microfone, Lula apresentou Dilma aos operários. Disse que ela tem compromisso com os trabalhadores, prometeu servir de interlocutor entre o sindicato da categoria e o governo e, principalmente, contou histórias do passado.

O presidente lembrou das panfletagens na época da ditadura militar, das brigas entre grupos opostos de trabalhadores, das vezes em que precisou quebrar o cadeado do portão para entrar na fábrica e da presença de militares.

Em uma frase, mostrou como os tempos mudaram. “Vocês podem ficar tranquilos porque a fábrica já está sabendo que a produção vai atrasar um pouco. A produção só vai começar quando todo mundo estiver lá dentro”, disse Lula.

Em seu rápido discurso, Dilma disse que foi até a fábrica para firmar um compromisso com os trabalhadores e prometeu dar sequência à política de valorização do salário mínimo iniciada por Lula. “Aprendi com Lula o caminho e vou seguir neste caminho”, disse ela.

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