PF investiga selo falso usado para quebra de sigilo

Polícia Federal acredita que fraude de um selo atribuído ao 16º Tabelião pode levar à raiz do escândalo que abala a Receita

Agência Estado |

selo

A Polícia Federal retirou ontem cópia integral do inquérito instaurado pelo 4º Distrito Policial de São Paulo para apurar a falsificação de um selo atribuído ao 16º Tabelião de Notas. A apuração interessa à PF, pois o mesmo selo e carimbos falsos serviram para que falsários forjassem a procuração usada para violar o sigilo fiscal de Verônica Serra, filha de José Serra (PSDB).

A PF acredita que essa fraude pode levar à raiz do escândalo que abala a Receita e está no centro da corrida presidencial. O inquérito 182/10 foi aberto em 10 de março, depois que um escrevente do 16º Tabelião flagrou sinais de adulteração em um selo de reconhecimento de firma. Ele questionou o office boy Wilson Roberto da Conceição, que dava entrada em pedido de xerox autenticada da solicitação de CNPJ da AWF Comercial, sobre quem havia pedido o serviço. Conceição disse que trabalhava para Vectra Contabilidade.

Todos os elementos de fraude presentes na procuração forjada em nome de Verônica aparecem no documento da AWF. Pelo número de série, sabe-se que o mesmo selo foi utilizado nos dois casos - como são produzidos em escala sequencial, é impossível que existam dois iguais. O sobrenome do tabelião está errado e a assinatura dele não confere.

O dono da Vectra, Jorge Corregiari, afirmou que o documento fora entregue a ele por seu cliente, Valmir Lebre, dono da AWF, já com firma reconhecida. Lebre, por sua vez, disse que estava na Poupatempo da Sé quando pediu a um desconhecido que reconhecesse firma. Sem pistas que levassem ao falsário, o inquérito acabou arquivado em maio pela Justiça.

Personagem novo
O contador Antonio Carlos Atella, envolvido na violação do sigilo fiscal de Verônica Serra e Alexandre Bourgeois, apontou novo personagem na trama: Arão Queiroz. Ex-detento - cumpriu pena de três anos por estelionato -, Queiroz trabalha nas cercanias da Junta Comercial, oferecendo serviços de despachante. Atella disse que ele teria participação no episódio.

Queiroz admitiu que conhece Atella e Ademir Cabral, contador e office boy que também está sob suspeita. Disse que já "fez serviços" para ambos, mas negou ter falsificado as procurações em nome de Verônica e de Alexandre, que hoje serão ouvidos pela Polícia Federal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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