Operação ¿Terra Caída¿ poderá ter novas ofensivas após análises dos documentos apreendido no Acre e São Paulo

A Polícia Federal no Acre (PF-AC) fará novas ofensivas da Operação “Terra Caída” – desencadeada nesta quinta-feira simultaneamente no Acre e São Paulo – que investiga doações de dinheiro em espécie a partidos políticos, que não foi declarado à Justiça Eleitoral. Isso configura crime eleitoral por abuso de poder econômico, o Caixa 2.

As novas ofensivas serão feitas após as análises do material (computadores) apreendido ontem de seis empreiteiras nos dois estados. Após as análises dos documentos apreendidos em São Paulo e no Acre, a PF encaminhará inquérito ao Ministério Público Eleitoral (MPE). O MPE formalizará então denúncia aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs).

Primeiro turno

Se o ilícito eleitoral ficar comprovado – com base nas provas conseguidas pela PF – haverá alteração no resultado da eleição do primeiro turno no Acre. No segundo turno houve apenas eleição para Presidente da República no estado. Os agentes da PF apreenderam computadores, cujos arquivos estão sendo analisados.

E que poderão demandar novas buscas. As empresas investigadas mantêm contratos com o governo do Acre, pelo qual responde atualmente o governador Binho Marques (PT). O governador assegurou que não participou da campanha eleitoral e que, portanto, estar tranquilo. A PF não informou por que deflagrou a Operação “Terra Caída”, mas, certamente, recebeu denúncias.

Busca e apreensão

Com autorização da Justiça e de posse de mandatos de busca e apreensão, os agentes federais vasculharam escritórios de seis empreiteiras no Acre e suas sedes em São Paulo. Ao todo, a PF cumpriu nove mandatos: seis no Acre e três em São Paulo. Entre outros, a PF investiga o empreiteiro Sérgio Nakamura, ex-diretor do Deracre (Departamento de Estradas e Rodagens).

Nakamura chefiou o Deracre, responsável pela construção e manutenção das estradas acreanas nos dois últimos governos. Nakamura responde a processos pelo Tribunal de Contas da União (TCU) por supostos desvios de recursos da obra da BR-364. O empreiteiro também foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) pelo desvio de quase R$ 23 milhões das obras da rodovia.

Outros nomes

A PF também cumpriu os mandatos na sede do Deracre, no Segundo Distrito de Boa Vista. De lá, os agentes da PF levaram computadores. Além de Nakamura, a PF não divulgou os nomes dos outros investigados, nem os partidos políticos que teriam sido beneficiados pelo suposto esquema criminoso para comprar votos. O processo está sob segredo de Justiça.

Além de computadores, os agentes federais recolheram outros equipamentos à procura de provas contra os acusados. Ninguém foi preso até agora. Em nota, a assessoria de comunicação da PF no Acre informou que o objetivo da Operação “Terra Caída” é investigar financiamento irregular de campanhas durante o primeiro turno das eleições 2010.

Segundo a nota da PF, o dinheiro oferecido pelas construtoras aos representantes dos partidos políticos serviam para alimentar um suposto esquema de Caixa 2 para a compra ilícita de votos, que caracteriza crime de abuso de poder econômico. O dinheiro era utilizado sem ser declarado ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

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