PF diz não ter comprovado uso eleitoral de dados sigilosos

Na nota divulgada hoje, a PF confirma que as quebras de sigilos foram encomendadas por jornalista e aconteciam desde 2008

iG São Paulo |

A Polícia Federal divulgou nesta quarta-feira uma nota oficial em que nega ter comprovado o uso eleitoral de dados obtidos por meio da quebra de sigilo de políticos ligados ao PSDB e parentes do candidato do candidato tucano à Presidência, José Serra . A polícia confirmou, entretanto, que os vazamentos foram encomendados por um jornalista - referência a Amaury Ribeiro Júnior.

A nota divulgada hoje pela PF confirma que o jornalista Amaury Ribeiro Júnior confessou a encomenda das quebras de sigilo. Ele afirmou à polícia que elas aconteciam desde 2008 “no interesse de investigações próprias”. Porém, de acordo a PF, “os dados violados foram utilizados para a confecção de relatórios, mas não foi comprovada sua utilização em campanha política”.

A PF diz ainda que Amaury pagou R$12 mil pela quebra de sigilos, mas não diz a origem do dinheiro. Na época da encomenda, Amaury era funcionário do jornal Estado de Minas . Ele teria dito à Polícia Federal que encomendou a quebra de sigilo para "proteger o governador Aécio Neves", que na época era pré-candidato do PSDB à Presidência da República.

No depoimento dado à PF, Amaury afirmou que encomendou as quebras de sigilo depois que descobriu que políticos ligados à José Serra estariam preparando um dossiê contra Aécio Neves, segundo apontou a Folha de S. Paulo .

De acordo com a edição de hoje do jornal Folha de S.Paulo, a PF teria feito a conexão entre a quebra de sigilo e a pré-campanha na candidata Dilma Rousseff (PT). Segundo a reportagem, o jornalista Amaury Ribeiro Júnior, contrato pela campanha do PT para um suposto "núcleo de inteligência", confessou a participação no crime, estabelecendo, portanto, o vínculo político da quebra de sigilo do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de Verônica Serra e Alexandre Bergois, filha e genro de José Serra.

Investigação

O inquérito para investigação da quebra de sigilo de pessoas ligadas ao PSDB e a José Serra durou 120 dias e ouviu 37 pessoas em mais de 50 depoimentos, segundo o polícia. A PF indiciou sete pessoas até agora, entre elas o contador José Carlos Atella, o office-boy Ademir Estavan Cabral e Adeilda dos Santos, funcionária lotada da Receita de Mauáque era responsável pela quebra de sigilo mediante pagamento de empresas despachantes.

Atella e Ademir Cabral foram os primeiros suspeitos identificados pela quebra de sigilo de Verônica Serra e Alexandre Bergois. Através de procurações falsas, eles solicitaram à Receita Federal de Mauá a quebra dos sigilos dos dois parentes de Serra.

Segundo a Folha de S. Paulo , Amaury Ribeiro Júnior encomendou as quebras de sigilo de um nome Dirceu Rodrigues Garcia, que, por sua vez, solicitava ao office-boy Ademir Cabral e Carlos Atella, que solicitavam a outro despachante falsificação de documentos para a quebra dos sigilos. 

Veja a nota completa da Polícia Federal:

Brasília/DF - Sobre as investigações para apurar suposta quebra de sigilo de dados da Receita Federal, a Polícia Federal esclarece que:
1- O fato motivador da instauração de inquérito nesta instituição, quebra de sigilo fiscal, já está esclarecido e os responsáveis identificados. O inquérito policial encontra-se em sua fase final e, depois de concluídas as diligências, será encaminhado à 12ª Vara Federal do Distrito Federal;
2- Em 120 dias de investigação, foram realizadas diversas diligências e ouvidas 37 pessoas em mais de 50 depoimentos, que resultaram, até o momento, em 7 indiciamentos;
3- A investigação identificou que a quebra de sigilo ocorreu entre setembro e outubro de 2009 e envolveu servidores da Receita Federal, despachantes e clientes que encomendavam os dados, entre eles um jornalista;
4- As provas colhidas apontam que o jornalista utilizou os serviços de levantamento de informações de empresas e pessoas físicas desde o final de 2008 no interesse de investigações próprias;
5- Os dados violados foram utilizados para a confecção de relatórios, mas não foi comprovada sua utilização em campanha política;
6- A Polícia Federal refuta qualquer tentativa de utilização de seu trabalho para fins eleitoreiros com distorção de fatos ou atribuindo a esta instituição conclusões que não correspondam aos dados da investigação.
Divisão de Comunicação Social

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