Em sabatina, senador chama tucanos de oligarquia antiga, e sistema de avaliação de professores em SP de 'pau de sebo'

Ainda sem decolar nas pesquisas de intenção de voto, que apontam que a eleição deve ser decidida logo no primeiro turno, o candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, disse, nesta quarta-feira, que espera converter em votos um suposto “desgaste” observado por ele nas ruas após 16 anos de administração tucana no Estado.

Candidato do PT, Aloizio Mercadante, durante sabatina
Futura Press
Candidato do PT, Aloizio Mercadante, durante sabatina
“É evidente que é difícil ganhar uma eleição em São Paulo. Mas existe um sentimento de mudança”, disse o petista durante sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo e o portal UOL.

O senador afirmou que está “absolutamente tranquilo” na campanha deste ano, disse que, caso não seja eleito, deixará o Senado com sentimento de “missão cumprida” e voltará a dar aulas de economia na universidade – ele é professor licenciado da Unicamp e da PUC. “O Brasil que vou deixar para os meus netos e para os meus filhos é melhor do que o que eu recebi”.

Apesar do discurso, Mercadante elevou o tom das críticas ao se referir aos adversários tucanos - que classificou como parte da “oligarquia mais antiga” no comando de uma unidade da federação do País.

Como tem feito desde o início da campanha , o candidato centrou fogo na questão dos pedágios , do transporte público, da educação e da segurança do Estado, frutos, segundo ele, da insatisfação da população que diz ter observado nas ruas .

Citou casos de assaltos em delegacias, criticou o sistema de aprovação automática na rede estadual de ensino e chamou de “pau de sebo” a política de bônus para os professores paulistas mais bem avaliados da rede. “Os professores estão cinco anos sem receber reajuste. Só 20% podem receber o bônus, e depois só daqui a quatro anos [na próxima avaliação] vão receber de novo. É um pau de sebo que não chega nunca”. O candidato disse ser favorável à avaliação de docentes, desde que não haja discriminação nem fratura na categoria. Ele aproveitou a ocasião para fazer promessas já anunciadas ao longo da campanha, como a distribuição de laptop para docentes e a criação de um portal do professor.

"Quero ser avaliado pela nota que os alunos vierem a ter. Quem não foi capaz de fazer isso já deveria ter desistido”, afirmou.

“O candidato [Geraldo Alckmin, do PSDB] não sai na rua para não ver a insatisfação com os pedágios, a insatisfação do professor, do policial", disse o candidato, que se gabou por contar do apoio recebido por prefeitos e lideranças da chapa adversária e do que há de "melhor e mais consistente" do PMDB paulista – partido que, oficialmente, apoia os tucanos.

Apesar da desvantagem de 30 pontos percentuais em relação ao adversário tucano, apontados na mais recente pesquisa Vox Populi/Band/ iG , o petista acredita que poderá convencer o eleitor a “apostar na mudança”, algo que seu partido não foi capaz de fazer nas últimas eleições em São Paulo, conforme admitiu. “Ele [Alckmin] já fez o que podia fazer, em seis anos como vice, seis como governador e um como secretário”.

Segundo ele, o eleitor paulista é exigente e "pé no chão", e as sucessivas derrotas acumulada pelo PT no Estado aconteceram porque o partido não foi capaz de “convencer” o eleitor da necessidade da alternância do poder. Outra dificuldade, disse, é enfrentar a estrutura do Estado governado há quase 16 anos pelos adversários.

O candidato Aloizio Mercadante
AE/HÉLVIO ROMERO
O candidato Aloizio Mercadante
Ele comparou o desempenho da economia durante a gestão Fernando Henrique Cardoso e de Lula e afirmou que, nos últimos oito anos, foi provado que empresas estatais, como o Banco do Brasil, deram mostras de que podem ser eficientes. Já em São Paulo, lembrou, no auge da crise, o governo do Estado, que já havia privatizado o Banespa, vendeu a Nossa Caixa.

“O papel do Estado é fazer política contra-cíclica, não levar pedágio e presídios para o interior, como acontece em São Paulo”. E completou: “Eles (PSDB) sempre subestimaram a capacidade do Brasil”, disse Mercadante, que prometeu criar uma agência de fomento “à lá BNDES” no Estado para alavancar investimentos na região.

O candidato provocou ainda ao dizer que, diferentemente de Lula, que é “disputado” por todos os candidatos do País, o ex-presidente FHC praticamente não participa da atual campanha.

Candidato pela segunda vez ao governo paulista, Mercadante teve que responder a uma série de perguntas como interlocutor do presidente Lula. Disse que teve chance de assumir cargo executivo na administração petista e que chegou a ser convidado para ser ministro da Fazenda. Só recusou, garantiu ele, porque havia poucas alternativas a ele como liderança no Senado, onde o governo era (e é) minoria.

O posto-chave, disse o candidato, ajudou o governo a elaborar políticas como o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo.

Sobre a fama de arrogante e centralizador, atribuída a ele por adversários, o senador afirmou que muitos guardam dele a imagem de quando esteve à frente de CPIs no governo Collor, quando, segundo ele, estava “no centro da cena” do impeachment de um presidente. “A gente amadurece, fica mais experiente, e as derrotas ensinam a gente”, disse.

Ao abordar o escândalo dos aloprados, que manchou sua campanha em 2006 – quando um auxiliar da campanha, Hamilton Lacerda, foi flagrado tentando comprar um suposto dossiê contra o então adversário José Serra – Mercadante lembrou que não chegou a ser denunciado pelo procurador-geral da República na época, Antonio Fernando Souza, que não viu indícios de sua participação no episódio. “E dessa vez não era o 'engavetador-geral da República' ”, disse, em referência a Geraldo Brindeiro, que atuava no governo FHC.

Mercadante disse ainda que jamais voltou a ter contato com Lacerda. “Nunca mais o vi, nunca mais conversei com ele”.

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