Pesquisas atrapalham palanques de Serra no Nordeste

Crescimento de Dilma Rousseff pode forçar rearranjo nas alianças do PSDB em Estados como Ceará e Piauí

Adriano Ceolin, iG Brasília |

O crescimento da pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, nas pesquisas já causa problemas na formação dos palanques montados no Nordeste pelo ex-governador José Serra, que vai disputar a eleição presidencial pelo PSDB. Os casos mais emblemáticos são Ceará e Piauí, onde alianças dadas como certas sofrerão um rearranjo e poderão até enfraquecer os apoios do tucano nos Estados.

Candidato à reeleição ao Senado e principal fiador de Serra no Ceará, Tasso Jereissati (PSDB) trabalha para se aliar informalmente com o favorito Cid Gomes (PSB) - governador e candidato à reeleição. Contudo, diante do crescimento de Dilma e das pressões do PT para que Cid apoie o ex-ministro José Pimentel (PT) ao Senado, o tucano teve de abrir negociações com o ex-governador Lúcio Alcântara (PR).

Na última segunda-feira, Tasso reuniu-se com o prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PR), que tenta articular o lançamento de Alcântara para o governo do Estado. Apesar de preferir um acordo com Cid, o tucano deixou uma porta aberta caso José Pimentel seja lançado na chapa do atual governador.

“Essas conversas têm sido feitas pelo Roberto. Desde 2006, eu tenho falado pouco com o Tasso”, disse Lúcio. Há quatro anos, ele era governador e tentou à reeleição pelo PSDB, mas Tasso acabou apoiando informalmente o adversário Cid Gomes. “Não era candidato este ano, mas estou recebendo muitos pedidos para disputar de novo”, completou.

Apesar dos desentendimentos com Tasso nos últimos anos, Alcântara admite a formação de uma chapa com ele como candidato ao governo e o tucano na vaga para o Senado. A aliança teria o aval também de candidatos a deputado estadual, que consideram a disputa mais difícil se Tasso fizer uma aliança branca com Cid.

Para Serra, seria melhor a aliança de Tasso com Cid porque, de certo modo, neutralizaria o empenho do governador na campanha de Dilma. Com Alcântara, a situação piora. Porque, além de não ser favorito, o ex-governador já declarou voto em Dilma. “O meu partido, o PR, está com Dilma, por isso devo seguir o mesmo caminho”, disse.

Piauí

Com palanque do ex-prefeito de Teresina Silvio Mendes (PSDB) definido no Piauí, Serra esperava contar com uma segunda força: João Vicente Claudino (PTB), senador e pré-candidato ao governo que rompeu com o PT no Estado. Ele chegou a conversar com tucanos sobre uma eventual possibilidade de ser o segundo palanque de Serra. Mas, mesmo sem fechar com petistas na esfera estadual, optou pelo alinhamento à candidatura de Dilma.

“Mas é muito difícil ter dois palanques de oposição porque o peso do governo é muito grande”, disse Claudino ao iG. Ex-tucano, ele nega ter levado em consideração o desempenho de Serra nas últimas pesquisas para preferir Dilma. No entanto, admite: “É claro que o crescimento de Dilma tem um efeito sobre as lideranças. O PSDB ficou abatido”.

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