Peregrino e Cabral repetem acusações no último debate da campanha

No último embate na TV da campanha ao governo do Rio, candidatos repisam críticas sobre padrinhos, família e milícia

Anderson Dezan, iG Rio de Janeiro |

Faltando apenas cinco dias para as eleições, os candidatos ao governo do Estado do Rio participaram na noite desta terça-feira (28) do último debate do primeiro turno, realizado pela TV Globo. Em quatro blocos, Sérgio Cabral (PMDB), Fernando Gabeira (PV) e Fernando Peregrino (PR) debateram e responderam perguntas sobre temas diversos. Como nos debates anteriores realizados no período eleitoral, Peregrino direcionou suas críticas contra Cabral, líder nas pesquisas. Já Gabeira, preferiu manter um tom mais ameno.

O primeiro bloco começou com uma pergunta de Peregrino para Cabral sobre os projetos para a área de transporte público durante as Olimpíadas Rio 2016. Como já havia feito em outros encontros, o candidato do PR questionou o atual governador citando o fato do escritório de advocacia da esposa de Cabral, Adriana Ancelmo, defender concessionárias de transporte público no Rio.

Agência O Globo
Gabeira, Peregrino e Cabral no debate
“As barcas estão se chocando, os trens e metrôs estão lotados. O poder público não está fiscalizando as concessionárias. Como é possível que haja uma fiscalização se o escritório que defende as concessionárias é da sua própria esposa”, questionou, comparando o fato com o episódio de afastamento da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, envolvida com acusações de tráfico de influência.

Cabral rebateu a provocação de Peregrino ressaltando que sua esposa já possuía o escritório de advocacia antes de conhecê-la. O peemedebista ainda aproveitou a resposta para alfinetar Rosinha Garotinho e seu marido, Anthony Garotinho, seus desafetos e padrinhos políticos de Peregrino. “O Garotinho foi governador e a esposa foi secretária. A Rosinha foi governadora e seu marido foi secretário. A minha mulher já tinha uma profissão”, frisou.

Ainda no primeiro bloco, o tema da Segurança Pública foi abordado e Gabeira e Peregrino criticaram o modelo do atual governo. “As UPPs [Unidades de Polícia Pacificadora] foram um sucesso onde foram instaladas, mas o problema é mais amplo”, disse o candidato do PV. “O governador informa com 48 horas de antecedência a ocupação policial para os bandidos fugirem. É uma panacéia. Uma tentativa de iludir o cidadão”, opinou o candidato do PR.

Provocações

A questão da segurança pública continuou sendo citada no segundo bloco do debate. Cabral questionou a ausência de projetos de Gabeira para a área durante seu mandato como deputado federal. “Sua visão de segurança pública é muito limitada. Temos verbas de R$ 5 milhões. Não vamos resolver os problemas de segurança pública com essa verba, tarefa essa que é sua enquanto governador”, respondeu o candidato do PV.

O clima hostil entre Peregrino e Cabral também continuou no segundo bloco. O político do PR questionou o atual governador sobre uma mansão do peemedebista supostamente avaliada em R$ 4 milhões e que teria sido declarada junto ao Tribunal Regional Eleitoral com o valor de R$ 200 mil.

“Você está repetindo o papel de seus padrinhos. Tenho essa casa há 12 anos. Você é patrocinado por um candidato a deputado pendurado por uma liminar. Você é patrocinado por uma prefeita cassada”, atacou Cabral. “Você não pode se servir a esse jogo sujo dos seus patrocinadores. Você é um homem mais velho, de cabelos brancos. Não se preste a esse papel ridículo”, ironizou, completando que R$ 4 milhões seria o valor corrigido de sua mansão.

Milícias

No terceiro bloco, Peregrino optou por alfinetar Cabral relembrando que o governador participou em 2006 da campanha eleitoral ao lado do ex-deputado Natalino Guimarães, preso por acusações de liderar uma milícia que atua na zona oeste da cidade do Rio de Janeiro. A luta contra esses grupos paramilitares é uma das bandeiras políticas de Cabral.

No quarto bloco, uma resposta de Gabeira a Peregrino resumiu o tom do último debate antes das eleições. O candidato do PR perguntou ao político do PV como ele avaliava os avanços industriais alcançados no atual governo, comparando com os projetos realizados por Anthony e Rosinha Garotinho. “Não gostaria de entrar na briga dos dois governos porque não participei de nenhum dos dois”, finalizou. 

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