Pela primeira vez, PMDB entra no governo pela porta da frente

Partido é o principal aliado de Dilma Rousseff e tem Michel Temer no posto de vice-presidente

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Pela primeira vez desde que as eleições voltaram a ser diretas em 1989, o PMDB ingressa no governo pela porta da frente. É o principal aliado da presidente Dilma Rousseff (PT) e tem o deputado Michel Temer (SP) no posto de vice-presidente. No Congresso, o partido manteve sua força: é a maior bancada no Senado e a segunda maior na Câmara.

Hélvio Romero/ AE
Michel Temer (PMDB), eleito vice-presidente da República, em votação neste domingo (31)
A situação é totalmente diferente em relação ao inicio dos governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1995, e Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. Nas duas oportunidades, o PMDB passou a ser aliado durante o andamento dos mandatos. Pior. Na maioria das vezes, o partido não estava unido e brigava internamente por postos no governo.

A mudança ocorreu a partir de 2007, quando o então líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), fez um acordo com a ala dissidente do PMDB para disputar a presidência da Casa. O candidato oficial ao posto era o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), que tinha o apoio do PMDB do Senado. Chinaglia acabou vencendo a queda de braço.

Quatro anos depois, a bancada da Câmara do PMDB está pacificada. “A briga entre Senado e Câmara acabou por completo. Isso ajudou a consolidar essa aliança. Assim que vamos para a vitória e para o governo”, disse Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara. “Estamos cuidando do partido para voltar a ser o maior partido do Brasil”, completou.

Alves ressalta que está no cargo há quatro anos. “Antes tinha uma briga constante pela liderança. A gente perdia energia e tempo com isso”, afirmou Alves. Agora, o deputado sonha mais alto: com o apoio do vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), Alves tentará disputar a Presidência da Câmara. “Não serei candidato porque eu quero ser. Tem de ser o candidato da instituição. A Câmara sofreu muito num passado recente”, disse, referindo-se às denúncias de irregularidades como o uso de passagens áreas por parentes. O principal adversário de Alves é o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), atual líder do governo.

Eleito vice-presidente, Michel Temer disse que o partido vai ocupar seu espaço. "Vamos ser protagonistas", diz Temer quando questionado sobre o assunto. Forte nos bastidores, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) tenta se tornar líder na Câmara no lugar de Henrique Eduardo Alves. Ele, porém, enfrenta resistências de diferentes setores do partido. Outra disputa importante será pela presidência da sigla. Eunício Oliveira (CE) já se colocou como candidato.

Histórico do PMDB

A volta do PMDB como protagonista ao lado do PT ocorre após 25 anos. Em 1985, o partido chegou à Presidência da República de forma indireta. Tancredo Neves foi eleito pelo Colégio Eleitoral. Morreu, porém, antes de tomar posse.

Assumiu o vice José Sarney. Ele havia acabado de entrar no PMDB. Ingressou no partido para compor a chapa com Tancredo. Sarney tinha como origem o PDS, partido criado a partir da Arena que apoiava a ditadura militar.

No governo, Sarney teve sucesso no início do Plano Cruzado, mas caiu em decadência com o aumento da inflação. Em 1987, lideranças importantes do PMDB, como Mário Covas e Franco Montoro, deixaram o partido para fundar o PSDB.

O racha no partido ajudou prejudicar ainda mais a candidatura de Ulysses Guimarães (PMDB) à Presidência da República dois anos depois, em 1989. Ulysses terminou a disputa apenas na sétima colocação.

Quatro anos depois, o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia lançou-se candidato a presidente e também não foi bem sucedido. Ficou apenas em quarto lugar. Durante o governo FHC, parte da sigla aderiu. Em 1998, novo racha: recém-filiado à sigla, Itamar Franco tentou voltar à Presidência. Em convenção nacional, o partido optou por ficar neutro na disputa e não lançou candidato.

Em 2002, o PMDB aliou-se a José Serra (PSDB) e junto com ele foi derrotado no segundo turno. No entanto, alguns integrantes do partido apoiaram Lula ainda no primeiro turno, como o senador José Sarney (PMDB-AP). Por isso, o PMDB do Senado foi mais atendido por Lula no inicio do seu mandato.

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