Pela primeira vez, Lula defende abertamente candidatura de Tarso

Dilma também discursou em ato do PT no ginásio Gigantinho, em Porto Alegre

Alexandre Haubrich, iG Porto Alegre |

Para um Gigantinho lotado que já começava a se esvaziar, Lula acabou com as dúvidas e anunciou publicamente pela primeira vez: “Aqui no Rio Grande do Sul, para governador do Estado, eu tenho nome, tenho partido e tenho número. Eu tenho Tarso, tenho o PT e tenho o 13”. Já eram mais de dez horas da noite, e já haviam se revezado no microfone os candidatos da coligação ao Senado, Paulo Paim (PT) e Abigail Pereira (PCdoB) e os concorrentes do partido ao governo do Estado, Tarso Genro e à sucessão de Lula, Dilma Rousseff.

O anúncio do apoio de Lula a Tarso vem solucionar a dúvida quanto ao posicionamento do presidente em um Estado onde o PMDB é o principal adversário do PT. O presidente não deixou dúvidas, e fez coro a Dilma ao dizer que ter Tarso governador do Rio Grande do Sul é a única forma de fazer o Estado andar de mãos dadas com o Brasil. O presidente também procurou razões para as dificuldades que o PT tem enfrentado no RS, e criticou a sensação de “auto-suficiência” que, segundo ele, teria tomado conta do PT gaúcho.

“Nunca me conformei com não termos no Rio Grande do Sul uma aliança forte com PSB, PCdoB e PDT”, explicou, lembrando que agora os dois primeiros estão oficialmente na coligação petista, enquanto setores dos trabalhistas já anunciaram apoio a Tarso Genro. A figura mais importante desses setores foi outra das estrelas do comício, mesmo sem ocupar o microfone.

O ex-governador Alceu Collares (PDT) estava na lista de oradores, mas, com dificuldades na voz, cedeu sua vez a outro ex-governador, Olívio Dutra (PT). Ambos foram intensamente aplaudidos, e seus nomes foram gritados mais de uma vez pelo público. Pego de surpresa pelo mestre de cerimônias que o chamou ao microfone, Olívio disse que não ia discursar, mas, empurrado por Lula, falou em nome de Collares, e repetiu a ideia de que “o Rio Grande precisa crescer e se desenvolver junto com o Brasil”.

Na abertura do ato, os muitos candidatos a deputado estadual e federal presentes no palco tiveram seus nomes citados, antes de o primeiro orador começar a discursar. Foi Paulo Paim, candidato do PT ao Senado, quem abriu os trabalhos, e também elogiou muito o ex-governador Collares. Ao comemorar a grande aliança formada em torno do PT, citou setores do PDT e do PTB como parte da Unidade Popular, e destacou Collares como o símbolo dessa unidade: “Quiseram expulsar o Collares do PDT. Líder a gente não expulsa, líder a gente respeita! Collares é um grande líder do Rio Grande!”, exclamou.

Depois de Paim, falaram Abigail Pereira, Beto Grill, candidato a vice governador e, finalmente, o candidato ao Piratini. Tarso Genro fez um discurso curto, no qual exaltou sua ligação com Lula e os reflexos do trabalho de parceria dos dois no Estado, além de elogiar a ampla aliança alcançada nas eleições estaduais.

Então, ao canto de “um dois três, quatro cinco mil, é Tarso no Rio Grande e a Dilma no Brasil”, Dilma Rousseff assumiu a palavra, começando por retomar sua trajetória no Rio Grande do Sul. Em seguida, falou de realizações do governo Lula e explicou que, “para dar continuidade a que nós fizemos, preciso de um governador que faça o Rio Grande andar junto com o Brasil”. Disse ainda que os investimentos do governo federal impediram o RS de ficar para trás.

Dilma elogiou a atuação de Tarso Genro como ministro da Segurança e destacou realizações na área da educação, além de alfinetar seu oponente, José Serra (PSDB), em cujo mandato recente como governador de São Paulo houve agressões de policiais a professores que realizavam manifestação: “educação de qualidade não é tratar professor com cassetete”, disse, antes de arrematar: “hoje nossos adversários defendem educação de qualidade, defendem o Prouni, mas eles foram os primeiros a reclamar a ilegalidade do programa”.

O presidente Lula, último a falar, também focou seu discurso na educação. O desempenho de Tarso como ministro da pasta foi muito enaltecido pelo presidente. Lula lembrou que o primeiro presidente do Brasil sem diploma universitário, e que, ainda assim, foi quem mais construiu universidades públicas. Destacou também a construção de um grande número de escolas técnicas.

O presidente firmou que o Prouni foi ideia de Tarso Genro e de Fernando Haddad, atual ministro da Educação. Também elogiou as medidas tomados por Tarso na outra pasta da qual foi ministro: “Como ministro da Justiça, Tarso fez uma revolução na segurança pública, pacificando favelas como o morro de Santa Marta, que hoje é ponto turístico”.

Defendendo, como já havia sido feito nos outros discursos da noite, a ligação mais profunda do Rio Grande do Sul com o Brasil, pediu a continuidade do que fora começado por Olívio Dutra entre 1998 e 2002, e, ainda antes, com Alceu Collares, quando os dois governaram o Estado. Disse ver no Rio Grande do Sul o Estado mais politizado do país, pediu votos nos candidatos da coligação ao Congresso, e prometeu: “Não sei se vou ajudar, mas eles (oposição) vão ter que ver muitas vezes minha cara na televisão defendendo a Dilma e o Tarso”.

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