Paulistanos deixam para votar na última hora

Empresário quase perde a eleição por ficar jogando Guitar Hero com o sobrinho. Eleição em SP tem poucos incidentes

Lecticia Maggi e Thami Nóbrega, iG São Paulo |

Paulistanos fizeram jus ao ditado de que o "brasileiro deixa tudo para a última hora" e foram votar minutos antes do relógio marcar 17h e encerrar a eleição deste domingo. O administrador Ricardo Quartier chegou correndo à Faculdade de Engenharia de São Paulo, na avenida Nove de Julho, região central da capital paulista. Faltavam três minutos para os portões serem fechados.

“Eu fiquei enrolando em casa, estava jogando Guitar Hero com meu sobrinho. Agora, moro em Cotia, quando me dei conta já eram 16h30”, contou ele, que é dono de uma empresa de softwares. “Já vim com a cola no bolso, por isso foi rápido votar.”

Quartier já perdeu outras eleições e sofreu as consequências: teve dificuldades para renovar o passaporte. “Desta vez ia ficar muito chateado caso não conseguisse. Quero ajudar a fazer um Brasil melhor”. E completa: “só preciso ver se meu carro não foi multado.”

O administrador Antônio Lopes, de 46 anos, também afirmou que sempre deixa para votar no final, mas, desta vez, acabou perdendo o horário enquanto estudava inglês com filho Octávio, de 10 anos, que terá prova na segunda-feira. Apressados, os dois chegaram à Faculdade de Engenharia de São Paulo (Fesp) às 16h55. "Fiquei estudando inglês e quando vi faltavam 15 minutos, vim que nem um louco", afirmou Lopes, ao deixar a sessão.

Iris Sandoval Bernardo, de 38 anos, chegou correndo acompanhada do marido, Valdir Bernardo, de 45 anos, e da filha. Na última hora, os dois procuravam um papel e uma canela para anotar o número dos candidatos. "Ele votou pela manhã e demorou para voltar. Eu fiquei com a neném e não tinha como deixá-la sozinha. Fiquei morrendo de medo de não conseguir chegar", disse ela.

Quem chegava no último momento encontrava outros eleitores apressados, mas não houve registro de filas no Fesp, e em cerca de dois minutos era possível votar. Laís Wollner, de 76 anos, foi a última pessoa a deixar a zona eleitoral e saíu lamentando não ter conseguido votar em um dos candidados que queria, por não saber o número dele. "Acho que precisavam colocar a relação com os nomes dentro de cada cabine", defendeu. "Quero ver se dá para ajudar a resolver tantos problemas". 

Movimentação

Apesar do fluxo intenso de pessoas, nos colégios eleitorais visitados pela reportagem do iG - Colégio Palmares, Dante Alighieri, Faculdade de Engenharia de São Paulo (Fesp) e Faculdade Cásper Líbero - os paulistanos votaram sem enfrentar maiores transtornos. Na Fesp, o movimento mais intenso aconteceu por volta das 12h30, período em que os eleitores esperavam por cerca de 10 minutos na fila.

Policiais ouvidos pela reportagem também não haviam registrado ocorrências. Um dos poucos incidentes presenciados pelo iG ocorreu com a artista plástica Patrícia Sampaio Cooke, que chegou por volta das 15h40 à Fesp, mas ficou cerca de 1h tentando descobrir com funcionários porque seu nome não estava na lista. “Meu nome não está aqui, sendo que sempre votei no mesmo lugar. Sei até de cor a sala, porque é a mesma em que o Maluf vota. Não fui avisada de nenhuma mudança”, disse. “Eu tenho meus direitos, estou muito brava. Como cidadã meus direitos de escolher os candidatos foram prejudicados. Me disseram pra ir ao cartório resolver o problema, mas não dá mais tempo (SIC)", lamentou.

Gilberto Nonato Ferreira, assistente judiciário do Tribunal Regional Eleitoral disse que o nome de Patrícia não estava no sistema. "Falamos com o cartório por telefone, nem eles souberam dizer o que houve. Não há o que fazer. Cabe ao Tribunal vasculhar e tentar descobrir o que aconteceu.”

Idosos e adolescentes

Assim como Laís, muitos idosos, apesar de não precisarem mais votar pela Lei - que determina o voto obrigatório até os 70 anos - fizeram questão de comparecer às urnas. Josefina Maria Roccella, de 81 anos, conta que chegou a ser desestimulada pelo irmão para que não saíssem de casa. "'Meu irmão: pra que você vai?'. Mas ainda tenho duas pernas e vou", afirmou ela, que voltou no Dante Alighieri e disse que o local lhe trazia lembranças boas. "Dante está no meu coração, minhas filas estudaram aqui".

O casal octogenário Célia e Alberto krahenduhl, de 88 e 87 anos, respectivamente, foram levados pelo filho a votar. "Para não deixar cair em mãos alheias. Para escolher o melhor", explicou Célia. Nem o frio e a garoa espantaram os eleitores. Elzi Camparini, de 77 anos, chegou a brincar com o tempo: "sou persistente e saí de casa. Enquanto tiver cabeça, vou votar". 

Pela manhã, o iG registrou o momento em que Elza Furtado, de 96 anos, foi carregada para votar . Na saída, declarou: "missão cumprida".

Adolescentes que também não são obrigados a votar participaram da eleição, como o estudante Marcelo Fortes, de 17 anos. "Acho ruim deixar os outros escolherem por você. É importante", disse, admitindo, porém, que a maioria dos amigos da mesma idade não vota. Ele, que não levou nenhuma cola, disse ter decorado o número de todos os candidatos que queria. "Não deixei nada em branco".

    Leia tudo sobre: eleiçõeseleições sp

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG