Patrus deve aceitar vice de Hélio Costa

Disputa interna no PT-MG sobre a segunda vaga ao Senado persiste

Bernardino Furtado, iG Minas Gerais |

Numa reunião na noite desta quarta-feira (16) com deputados, vereadores e militantes que somou cerca de 200 pessoas, o ex-ministro Patrus Ananias (PT) indicou que aceitará ser vice na chapa PMDB-PT para o governo de Minas, encabeçada pelo senador Hélio Costa. O principal fator para a mudança do humor de Patrus, que resistia a aceitar a candidatura, foi a demonstração explícita do presidente Lula de que se envolverá fortemente na campanha para eleger Costa. Os apelos dos apoiadores de Patrus no PT mineiro também contribuíram para a mudança de quadro. Na reunião de ontem, o argumento de que a presença de Patrus na chapa majoritária será fundamental para evitar uma fragmentação ainda maior do PT-MG foi quase unânime.

A disputa interna – que culminou nas prévias do PT mineiro para indicação da candidatura a governador, vencidas por Fernando Pimentel (52%) contra Patrus (48%) – ainda promete um embate entre os dois políticos. Antes da reunião, ao ser questionado sobre a segunda vaga da coligação ao Senado, Patrus sorriu. Sem resposta, disse que ainda não havia refletido sobre isso. No entanto, é clara a divergência sobre a questão entre os partidários do ex-ministro e os de Pimentel.

Dilmasia

A afirmação nesta quinta-feira (17) do prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, de que ele e seu partido, o PSB, vão pregar o voto ‘Dilmasia’ (a petista Dilma Rousseff (PT) presidente e o tucano Antonio Anastasia governador) e o Pimentécio (Pimentel e Aécio senadores), na presença do próprio Aécio, serviu para expor a divisão interna no PT de Minas. Os petistas fiéis a Pimentel querem que o ex-prefeito de Belo Horizonte seja o candidato único a senador da coligação com o PMDB e o PCdoB. Os partidários de Patrus, no entanto, entendem que essa candidatura solteira é uma senha para o “Pimentécio” e o “Dilmasia” e por isso querem um segundo candidato a senador na coligação.

O vice-prefeito de Belo Horizonte, Roberto Carvalho (PT), diz que vai defender a candidatura única de Pimentel na coligação para que o ex-prefeito tenha mais tempo de TV. “Temos que fazer todo o esforço para ganhar uma vaga no Senado. Isso não quer dizer que estamos defendendo o ‘Pimentécio’. É só Pimentel”, garantiu.

Prefeitura

Já o deputado estadual petista Padre João, ligado a Patrus, disse que o lançamento de um segundo candidato ao Senado é indispensável para deter o “Pimentécio e o Dilmasia”. “E queremos que seja um candidato de expressão. Preferimos do PT, mas se for do PCdoB tem de ser a deputada federal Jô Moraes, o nome mais forte eleitoralmente no partido dela”, afirmou Padre João.

O PCdoB quer como candidato a senador o presidente estadual do partido, Zito Vieira, que tem pouca densidade eleitoral. No PT, são cotados para a vaga o deputado federal Virgílio Guimarães e o deputado estadual Weliton Prado.

As escolhas do prefeito Márcio Lacerda para as eleições despertaram preocupação no grupo de Patrus sobre o comportamento dos petistas integrantes da administração municipal. Além da vice-prefeitura, são petistas os titulares de quatro secretarias importantes, de uma secretaria adjunta, da procuradoria jurídica e de cinco autarquias ou fundações. “É preciso evitar que eles sejam enquadrados pelo prefeito”, disse Padre João. Roberto Carvalho, no entanto, descarta uma adesão dos petistas às teses de Lacerda. “Vamos fazer campanha para a Dilma, o Hélio Costa e o Pimentel”, assegurou.

    Leia tudo sobre: Patrus AnaniasHélio CostaFernando Pimentel

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG