Patrimônio de Agnelo cresce 413%; Roriz omite gado e volta atrás

Candidatos ao governo do Distrito Federal apresentam declaração inversamente proporcional à de quatro anos atrás

Adriano Ceolin e Andréia Sadi, iG Brasília |

Os candidatos ao governo do Distrito Federal Agnelo Queiróz (PT) e Joaquim Roriz (PSC) apresentaram nesta segunda-feira declaração de patrimônio inversamente proporcional ao documento registrado quatro anos atrás, quando disputaram uma cadeira no Senado. Enquanto o petista demonstrou crescimento de 413% em seus bens, o ex-governador apontou uma queda de 75% porque ele omitiu 6.717 cabeças de gado.

Os dados constam no pedido de registro de candidaturas apresentado à Justiça Eleitoral. Na eleição de 2006, quando concorreu ao Senado pelo PCdoB, Agnelo informou ter R$ 224,3 mil em bens. Quatro anos depois, agora como candidato do PT ao Palácio do Buriti, apresentou um patrimônio que soma R$ 1,15 milhão. Ou seja, cinco vezes mais.

Uma casa de quase meio milhão de reais, no Setor de Mansões Dom Bosco, área nobre de Brasília, foi adquirida nos últimos anos pelo petista e ex-ministro do Esporte do governo Lula. Também aparecem no registro de 2010 um carro importado no valor de R$ 73 mil e um apartamento no Gama, cidade satélite de Brasília, no valor de R$ 181 mil.

Principal adversário do petista, Roriz disputou e venceu a eleição para o Senado em 2006. Na oportunidade, informou à Justiça possuir um patrimônio de R$ 4,4 milhões - mais da metade formado por 6.227 cabeças de gado avaliadas em R$ 2,8 milhões. Na declaração deste ano, os animais não mais aparecem.

Médico x fazendeiro

Deputado federal por três mandatos, Agnelo é médico cirurgião. Nos últimos quatro anos, foi diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No primeiro ano de gestão do atual governo, ocupou o cargo de ministro do Esporte. Em 2006, disputou o Senado e foi derrotado por Roriz.

Quatro vezes governador do DF (1990-1995,1999-2002, 2003-2006), Roriz é conhecido como um dos maiores criadores de gado de Goiás e do Distrito Federal. Em 2007, ele renunciou ao mandato de senador depois de uma operação da Polícia Federal ter revelado o desvio de R$ 2,2 milhões do BRB (Banco Regional de Brasília).

Na oportunidade, conversas telefônicas mostraram Roriz negociando a partilha do dinheiro com o ex-presidente do BRB Tarcísio Franklin de Moura. Em sua defesa, Roriz afirmou que conversava sobre um empréstimo feito ao empresário Nenê Constantino para a compra de uma bezerra.

Retificação

A assessoria de Roriz admite que houve erro na declaração de bens entregue à Justiça e informa que será feita uma retificação ao Tribunal Superior Eleitoral nesta quarta-feira. Segundo a equipe do candidato do PSC, o gado foi erroneamente excluído do patrimônio declarado. Hoje, seu rebanho é avaliado em cerca de R$ 4 milhões. Por isso, a nova declaração será de R$ 5,1 milhões.

A assessoria de imprensa de Roriz afirmou que as cabeças de gado pertencentes ao candidato não foram declaradas à Justiça Eleitoral, mas constam da declaração de Imposto de Renda dele.

Segundo a assessoria de Agnelo, a evolução do patrimônio se deve à aquisição da casa de R$ 450 mil e ao fato de que, em 2006, a declaração do Imposto de Renda do candidato foi feita individualmente. "Neste ano, ele declarou com a esposa. Além disso, deste R$ 1 milhão, existe um endividamento de R$ 344 mil", afirmou a assessoria, referindo-se a imóveis.

A equipe do petista disse que ele ainda está quitando a casa e, por isso, o patrimônio líquido de Queiroz seria "por volta de R$ 800, R$ 900 mil."

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